Páginas

domingo, 19 de março de 2017

Onde vivo?

Por Maria Teresa Freire
Curitiba, PR, Brasil
@: freire.mteresa@gmail.com
Imagem: blogs.universal.org
Sou brasileira. Moro no Brasil. Mas, não sei bem que país é esse. Não reconheço meu próprio local de moradia. O cerne dessa dúvida é a existência de dois Brasis. O Brasil político e o social, da população. 
No Brasil político habitam homens e mulheres que convivem restritos a um Distrito. Lá, eles trabalham para uma instituição que se intitula Governo. Os cargos são variados. Do mais alto, presidente, ao menor que são todos aqueles que se profissionalizaram como políticos e também aqueles que estão envolvidos com esses mesmos políticos. 
No Distrito, eles desenvolvem seus trabalhos aleatoriamente ao que acontece no outro Brasil, no social. Legislam em causa própria. Defendem leis que os protegem de seus comportamentos, os mais escabrosos. Organizam reuniões, na calada da noite, para criar sanções, medidas provisórias e outros regulamentos que objetivam controlar o Brasil social, nunca o deles.
Nessas reuniões escusas, cujo conhecimento o Brasil social só tem no dia seguinte através dos noticiários da televisão, do rádio, da internet e por meio dos jornais, eles aumentam seus salários já astronômicos, preparam projetos que beneficiam altamente os habitantes do Distrito, ou seja, do meio político, realizam conchavos regados a propinas exacerbadas, fecham acordos multimilionários com empresas que nem trabalham para os verdadeiros brasileiros. 
Sempre, esses seres pertencentes ao Brasil político apresentam a desculpa que suas ações e iniciativas visam ao bem do Brasil. Qual Brasil?
A justificativa para suas propostas encobrem o real motivo, que é delegar ao Brasil social a responsabilidade de corrigir seus erros, suas falhas. E o pior, pagar, na acepção da palavra, por seus roubos, desvios de recursos, corrupção inimaginável. A explicação é sempre argumentada em favor desse grupo que é menor, entretanto tem o poder, a capacidade de governar os outros milhões de pessoas que, acuadas, se vem obrigadas a se submeterem aos seus descalabros governamentais.
Ligados ao Distrito, porém habitando distante, outros membros também compactuam com a corrupção alastrada, como se fossem extensões do pensamento que norteia as atividades do núcleo central. Também advogam por causa própria, esvaziando os cofres dos seus locais de atuação, mascarando o verdadeiro interesse de participarem de conluios deflagrados pelo Brasil político. Não objetivam trabalhar em prol do povo que lhes depositou confiança, mas sim alcançar patamares de riqueza que o trabalho árduo e honesto não lhes conferiria. 
O Brasil social se calou e por tempos “viveu em berço esplêndido” outorgado pela natureza. Todavia, chegou o dia de despertar ao sentir seus direitos de cidadãos vilipendiados, ultrajados, sem nenhum respeito às suas contribuições para o progresso do país. 
A saúde estava mais doente do que a doença mais grave. Os hospitais, as unidades de saúde haviam se tornado unidades de doença e de decadência médica e social. As escolas, onde o saber se cria e se apodera das crianças e de adolescentes para lhes viabilizar posições importantes na sociedade com as profissões necessárias à emancipação social, estavam depredadas. Faltava estrutura física para atender aos estudantes e o pior, faltava professores entusiasmados e bem pagos. Faltava educação. 
O ir e vir livre que todo cidadão que vive no Brasil social tem direito estava cerceado pela violência, pelos ataques de marginais que armados buscam os objetos, quiçá a vida daqueles que verdadeiramente fazem o Brasil avançar em direção ao desenvolvimento. Que desenvolvimento? Sem empregos, sem esperanças, a massa humana, compactada pelo desrespeito e falsidade se desloca sem sonhos a serem sonhados e concretizados. 
O Brasil social, exausto pela exploração foi às ruas soltar seu grito, lutar pelo país que não se resume em corrupção, mostrar ao mundo que o grupo que dirige o país não é a representatividade da população brasileira. Conquistou, exigiu, conseguiu. Mas ainda não é o suficiente. A lição ainda não foi totalmente assimilada.
É preciso que os gritos retornem aos espaços públicos mostrando a raiva, o desgosto, a não aceitação das injustiças que tem sido imputado aos habitantes do Brasil social, como se fossem marionetes sem vontades ou compreensões. 
Ao esconderem-se atrás das proteções de vidro, os moradores do Brasil político esquecem que são observados através da transparência vitral. Acreditam que suas baboseiras são aceitas como leis imutáveis. Ao contrário, o Brasil social enxerga, arrancou a lente da miopia e acompanha, persegue os movimentos desastrosos que pretendem lhes tirar o mínimo de vivência obtida.
Não está bom, tem que melhorar e muito. Tem que haver mais justiça. Tem que continuar investigando. Tem que levantar a cobertura grossa e negra que recobre o chamado Governo, em todos os seus níveis, para deixar à luz e aos olhos de todos os arranjos para matar a ética, a honestidade, a hombridade, o trabalho honesto, a solidariedade, a governança pelo bem do povo.
Como reconhecer onde vivo?
Maria Teresa Freire
Maria Teresa Freire é Doutora em Comunicação e Saúde (PUCPR), Mestre em Educação (PUCPR), Graduada em Comunicação Social/Jornalismo (UFPR). Graduada em Língua Francesa e Inglesa. Professora de Graduação e Pós-Graduação de Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade/Propaganda. Consultora em Educação e Comunicação. Publicações em Revistas Científicas. Participações em Congressos nacionais e internacionais. Escritora com livros publicados e participações em sites literários e Coletâneas.

Reflexão ou decisão

Por Grazielli da Silva
Joinville, Santa Catarina, Brasil
@: grazielli_cm@hotmail.com
Imagem: blogs.universal.org
Deus nunca parou de lutar por nos. E Ele jamais perdeu uma batalha. A questão é que muitas vezes nós mesmos desistimos das nossas lutas, e a nossa parte cabe a nós mesmos fazer. Se Ele fizesse tudo sozinho não haveria sentido vivermos sobre essa terra, Deus poderia continuar escrevendo a história sem o homem e fazendo tudo do jeito que queria.
Estamos doentes, mas não queremos cuidar do corpo, da alimentação e do sono, se estamos tristes é mais fácil mergulhar de vez na tristeza, assistir mais televisão, ficar navegando mais na internet, ao invés de procurar ajuda de pessoas e consolo no Senhor. Não temos tempo para Deus, mas ficamos muito, muito tempo nas redes sociais, bate-papos e demais distrações vazias já citadas.
Somos insensatos!
O HOMEM QUE DIZ: “Deus não existe”, é completamente louco. *
O HOMEM QUE DIZ: “Deus não existe”, é completamente tolo. **
Não porque não acreditamos que Deus não existe, mas porque com nossas atitudes estamos dizendo que não há Deus para essas causas, caso contrário recorreríamos a Ele.
Por amor Deus nos criou, deu a cada um uma missão incrível e uma capacidade singular e extraordinária para realiza-la. Essa é a razão de estarmos aqui, E cada um tem a sua função específica para completar o Perfeito Plano de Deus para humanidade. Porém, enquanto não tivermos um relacionamento íntimo com Ele a ponto de ouvir sua voz para entender, aprender e viver isso na prática, continuamos seguindo com o comum vazio existencial, sem saber de onde e para que estamos aqui, ou para onde estamos indo.
Alguém poderá dizer em seu coração: “Mas mesmo não tendo e não sabendo nada disso eu tenho uma carreira brilhante, ajudo desde o bairro onde moro e muito além com isso”. Se não é o plano de Deus ainda não é o perfeito, pode ser bom, mas não é a perfeita vontade de Deus, e é por isso que essa pessoa, apesar desse sucesso, nunca se sente plenamente satisfeita.
Para Deus é como se o melhor médico de todo o planeta gastasse seu precioso conhecimento em uma empresa de construção civil, e o engenheiro mais brilhante estivesse atendendo as pessoas no consultório médico.
Somos capazes de fazer muitas coisas, mas nem todas nos convém fazer.
“SE O SENHOR não construir a casa, os pedreiros trabalham em vão. Se o Senhor não proteger a cidade, o trabalho dos guardas é completamente inútil. ***
Também podemos considerar: “Gastei toda minha vida criando filhos e cuidando de uma casa e casamento. E esses filhos já tem filhos que já tem ou tem idade para ter filhos. Nunca perguntei nada para Deus, e eles estão bem e contribuindo para um mundo melhor”. Na direção de Deus isso seria maravilhoso. A questão é que se não for o Senhor construindo não é pleno, apesar de ser útil.
“Ajude seu filho a formar bons hábitos enquanto ainda é pequeno. Assim, ele nunca abandonará o bom caminho, mesmo depois de adulto”. ****
Se conhecermos e ensinarmos, as nossas vidas e as de nossos filhos serão completas, cheias de ainda mais vida. Eles não precisarão buscar em coisas e pessoas o que só o Senhor pode oferecer.
Até alguém que vive para o trabalho de Deus, se faz tudo isso por si, sem perguntar ao Senhor, pode não estar fazendo o que Ele planejou e deseja. E será cobrado se assim for.
Podemos e devemos nos arrepender.
“Então se o meu povo (nós) se humilhar e orar, e Me procurar, e se arrepender e mudar sua maneira errada de viver, Eu ouvirei do céu as orações do povo, perdoarei os seus pecados, e curarei a terra deles (o coração). Estarei com os olhos e ouvidos abertos para atender todas as orações que forem feitas neste lugar. Pois escolhi este templo (nós mesmos), e fiz dele um lugar santo, a fim de ser a minha casa para sempre, meus olhos e meu coração estarão sempre aqui. Quanto a você (aqui Salomão, podemos pensar como nós mesmos para aplicação), se Me seguir conforme fez seu pai Davi então Eu cuidarei para que você e seus filhos, netos e bisnetos sempre sejam reis de Israel (de onde Ele quiser nos colocar)”. ***** 
Existem duas mentiras que podem nos impedir de viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nossas vidas:
1 - Somos ruins demais, não merecemos, não somos dignos, é muito tarde, não há perdão para o que fiz;
2 - Somos bons demais. Já ajudamos pessoas, já temos tudo que precisamos, já levamos uma vida correta.
A decisão é individual. Decida ficar com o melhor, mesmo que tenha que deixar o bom.

*Salmos 14.1a
**Salmos 53.1a
***Salmos 127.1
****Provérbios 22.6
*****2 Crônicas 14.18

sábado, 18 de março de 2017

Uma fração de segundo

Por Rogério Fernandes Lemes
Dourados, MS, Brasil
Imagem: dreamicus.com
Sempre estive por aí
A observar os inícios e os fins,
Mesmo antes da grande explosão...
Eu existia.

Antes da estruturação do pensamento
E da compreensão do homem sobre as coisas,
Sejam elas, observáveis ou invisíveis;
Antes da atração humana sobre o desconhecido...
Eu existia.

Tive todo o tempo criado ao meu dispor
Para contemplar a miséria e a nobreza do homem;
Suas angústias e realizações;
Sua percepção de continuidade
Através dos filhos e de seus feitos memoráveis.

Quem é o homem a ponto de ser perceptível?
Sua vida é transparente diante de mim,
Ainda que a reduzisse em uma fração de segundos
Seria necessário dividi-la em bilhões de partes e,
Ainda assim, seria muito.

Quando compreenderes que uma fração de segundo
É única e eterna,
Então saberás que existo,
Mas não compreenderás quem sou.

O que te faz grande não são suas obras;
Suas literaturas; suas manifestações
Transparentes diante de mim,
Mas sua compreensão de que uma fração de segundo
É parte de mim e, portanto, eterna.

* Sociólogo, Jornalista, Escritor e Poeta idealizador e Editor-Chefe da Revista Criticartes. Contato: rogeriociso@gmail.com

segunda-feira, 13 de março de 2017

Dei de...

Por Sylvia Cesco
Campo Grande, MS
@: sylviacesco@hotmail.com
http://3.bp.blogspot.com
Dei de criar  invencionices:
Inventei que passarinhavas
E enquanto afiava as  asas
Meu olhar de semente germinada
De longe  te cuidava

Dei de ter miragens :
Te vi vagalumeando  por entre as quatro Luas
Mas era na Minguante
Que tu mais brilhavas,
E te  reinventavas.

Dei de ancorar
Teu barco-querença
Abandonado, margeando as águas,
Ribeirando espumas, gorgeando alentos,
Cataventando seixos em silenciosas mágoas
Pelo não sabido, pela não presença.

Dei de endoidar de vez.
E me vi insana
Entardecendo  em dores,
Me orvalhando em chamas
Me encantando em pedras
Me congelando em brasas.
Dei de lembrar  sofrências
De sofrer lembranças.
Dei de desdizer palavras
E  desfazer de mim...
Exausta, no final , eu percebi:
Destes de te esconder
Em  amplidões sem  fim
Enquanto  inquieta eu te procurava.

Sylvia Cesco
SYLVIA CESCO é de Campo Grande, MS. Autora e Diretora de peças teatrais elaboradas com textos de poetas regionais. Roteirista-auxiliar do filme sobre Glauce Rocha, “Nasce uma Estrela”. Autora de letras de músicas gravadas por compositores e corais de MS. Obras: “Guavira Virou”, “Mulher do Mato”, “Sinhá Rendeira, “Ave Marias, Cheias de Raça”, “Histórias de D. Menina”. A autora foi premiada pela ASL, em Concursos de Poesias: 2º Lugar em 2012 e 1º Lugar em 2013. Publica na Revista Criticartes.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Nova tela de Clayton Silva

Conversando com o Pai
Óleo sobre tela 60x60 cm.

Clayton Silva
Clayton Silva, natural de Jundiaí, interior de São Paulo. Com mais de 40 exposições no currículo, com exposições em Lisboa, Moscou e Buenos Aires. A exposição mais recente foi dezembro na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a convite da casa.
Contato: claytonsilvacontato@gmail.com

La muerte es un grito

Por Leticia Salazar Castañeda
Durango Dgo.  México
@: leticiasalazar998@yahoo.com.mx

Premio Internacional de poesía amatoria, Brasil, Brasilia-2001
Prof. Leticia Salazar Castañeda
Cómo disgregar esta muerte,
su delirio como un relámpago.
Cómo ahuyentar su abismo en el fondo marino de cada quien,
su candor silencioso reflejando las tumbas de la memoria,
con qué aullidos disuadirla.

Qué haré con este miedo creciendo en el hueco de mis manos,
estancia que gesta mi locura protegida por la luz de unos ojos.

Cómo existir este día sin tus tempestades,
esta hora que no quiere tripulante en sus entrañas,
sólo nombrar el deseo,
los anhelos de los que crecen con los sueños,
adivinar las flores que revientan en la esperanza de los otros
los que no mueren,
los que hacen de la vida su pasatiempo favorito.

Dime con qué blasfemias postergar este amor,
con qué oraciones llevarlo hasta las corrientes de tu sangre,
al firmamento de tus dedos,
a la risa de pájaros ocultos en tantas madrugadas.

Sé que la muerte es un grito y callo para no morir,
escondo mi verdad de náufrago en estas aguas
donde mar y llanto son lo mismo,
donde todos los ojos arden en sus cuencas
y los labios dicen la palabra que ayer desconocían.
Mientras yo busco poemas que lleguen a la cumbre del mundo,
al monte de tus manos.

Los guiños de la gente me hablan de sucesos venidos a nada,
de tu muerte hecha profecía en el recuerdo.

Hay tanto sosiego en la mezquita de tu devoción,
tanta paz que alguna vez repartimos en las ilusiones de los hombres.
Fui yo quien descubrió los santuarios de tu pecho
y te respiró la sangre que se volvió mi casa,
tu caverna de fiera solitaria fue el lugar más siniestro de mis confusiones.
Juntos hicimos caminos con la anchura exacta de nuestras huellas,
formé tu cuerpo a la medida de mis brazos
con esa analogía de nuestras fuerzas contrarias,
nuestras geometrías de mujer y hombre.
Juntos frente a frente nos hacíamos muro
para no dejarnos ver el dolor humano,
el hambre, la guerra, las heridas,
juntos atrapamos multitudes y caminamos con su fatalidad a cuestas,
fuimos el reverso de su fanatismo,
de sus luces ciegas.

Por las noches callo para no morir porque la muerte es un grito,
cayó hasta explotar en el silencio y hacer del eco un silbido que nos una,
que nos levante de nuevo al anónimo de nuestros nombres.

Esta quietud respira por tu pensamiento,
borra mis versos en la penumbra donde habitas esta soledad inmensa,
esta procesión de acciones cotidianas.

Sí pudiera decir algo de los muertos…
-de tu prolongación en esta savia que es mi existencia-
Sólo sabemos de su silencio,
de su  ausencia en la inmediatez de las pupilas,
el frío de sus espejos,
su materia metafísica a media tarde cuando más duelen las heridas.

La casa es tan grande sin tu respiración,
sigue derramándose tu risa sobre el plano improvisado de mis lágrimas,
también aprendo a maldecir y en ello me va tu nombre
 reclamando la ancestral costumbre de que alguien le responda.

¿De qué tragedia desconocida,
de qué milagrosos designios sale tu fantasma
como un pavor enardecido,
como un miedo capaz de sobrecoger a cualquiera?

Callo para no morir…
Gira tu esencia entre los vivos y jadeo en ese vértigo
sin más apoyo que mi fantasía.

Cae la lluvia en este lado del mundo,
en el otro quizá comience una fiesta,
un lunes,
un concierto de Rock,
aquí sólo llueve en tu nombre y en tu nombre
 invito otra ronda sobre mi mesa de alcoholes
 rodeada de presencias extrañas.

Hace frío este febrero,
en los otros no sé lo que pase,
aquí hay algo en sus aires desatando los instintos,
algo que grita el vacío de los que se van sin despedirse
 pensando que su cuenta está saldada.

No sabía de los exilios que ahora defino como el mal de los amantes,
ni de este monólogo aumentando mis adicciones ante el mundo,
ni de mis aberraciones,
ni de mis desvaríos en una isla que jamás sabe uno dónde termina.

¿Hacia dónde emigran los muertos?
¿Qué rumbos solitarios los contienen que no vienen a contarlo?
¿Qué tormentos pulen sus olvidos?

Duele a la noche la incógnita de tu muerte
pero no develará tu misterio para quejarse,
Le tiembla la luz del relámpago
y el destello de la cigarra
que en la distancia se reconocen,
y yo imagino que ahí estás tú,
con tu morboso complejo de Dios
 queriendo alumbrar el mundo como alumbraste mi vida.

Miro los espejos que forman esta metrópoli:
veinte pisos de espejos alientan mi tentación,
pero debo callar para no morir,
mi grito lanzaría millones de esquirlas al viento:
decapitación en masa sería la historia de la humanidad.
Mejor  respiro para destruir sosegadamente,
después de todo quizá la estética me salve,
por eso he descartado una bala en la cabeza,
 en el corazón,
en mí misma,
y callo para no morir…

A mi paso, la calle gime por sus heridas de asfalto
y no puedo concebir que una mueca tuya
se refleje en los muros en lugar de un cigarrillo,
o que tu voz cante al amor plagiando
un promocional de tecnología “internet”,
o que esta vía de concreto convierta unos metros
en filo de espada sólo porque me faltan tus manos.

¿Recuerdas aquél ojo cíclope resguardando nuestra casa?
¿Recuerdas que éramos extraños
 pero un día al no encontrarnos
nos faltó la mitad de nosotros mismos?

Tu muerte tiene fauces,
y yo soy un molusco en agonía
orbitando en esta habitación llena de objetos
que sufren de tu ausencia.
Se duelen las cosas de esta casa:
padece vahídos el espejo
los focos se quejan de ceguera
-parecen andropáusicos-
tu ropa gotea pausadamente en los armarios,
la madera cruje por sus nudos cancerosos.

Imagino tu fantasma y apareces,
cual niña regañada me acurruco entre tus brazos
y enseguida me despiertan tus juegos perversos,
 la luz de tus luciérnagas.
Llegas infinito hasta mis manos
y el miedo se vuelve broma en este cuenco deshabitado.

Te imagino en el momento diminuto,
ahí  encarcelo tu luz,
tu néctar,
tus estaciones,
tu resplandor en esa historia que nos repetíamos a diario
y yo me buscaba en el asombro
de mí misma.

Éramos inocentes en aquél tiempo,
una fiesta nos crecía cual color portentoso de la vida,
traíamos liturgias en los brazos,
pecados en el alma,
cargábamos sueños en la cruz de una hechicería permanente.

Un día moriste y la existencia se me volvió tu muerte,
y tuve que inventarme otra historia…

Desde entonces he inventado tantas historias
con el mismo mito tatuándome el rostro,
con la misma erosión
que ya no da para milagros…

En nuestro tálamo un libro con olor a sexo
duerme el sueño de los justos.
La  casa está revuelta,
sin discriminación alguna,
y sé que tengo pedacitos de noche bajo mis ojos.
Amanezco, no sé por qué misterio,
bañada en tu sangre
que anida las aguas de este mundo.
Todo es sangre desde el día que abriste un grifo en tu cabeza
y el rojo salió despavorido.
Desde entonces los días corren tras de mí con su pincel en la mano,
creen que soy muro y quieren dibujarme pesadillas,
alcoholes,
soledades…
quieren pintarme un suicidio insospechado,
una trampa de amarguras en el alma,
una bala de plata sobre mi cuerpo de loba.

Mas yo copio en blanco mis verdades:
¡Que sea blanca la pendejada de tu muerte!
¡Que sea falso mi dolor en esta carne de arena que se desploma!

¡Que se escuche mi blanco sólo!
sin tu cuerpo podrido bajo las sábanas llamándome
 estrella,
Alondra,
sonrisa,
mientras yo sáciome llorosa en tu putrefacción
repitiendo nuestros nombres en diminutivo,
con el “ito” que agotó el lenguaje de nuestros días
y hoy es filo en la parte madura de mis tímpanos,
una  calamidad que jamás hubiera imaginado
 a pesar de nuestros nombres,
nuestros cuerpos,
nuestro nihilismo.

El día que moriste mi dolor desató un viento huracanado,
los perros aullaron en los patios vecinos
esa madrugada,
anocheció de pronto y aún no puedo vislumbrar
el margen de aquél río,
aquella arboleda cómplice de tu esperma,
tus neuronas y las mías.

Recuerdo que ahí inauguramos a ciegas
 los solares de nuestra adolescencia,
ahí festejamos la verdad de aquel cuento de reyes y princesas
que había sido desde siempre nuestra pregunta,
ahí fuimos el punto cierto de la vida custodiados
por el celo de muchos ahuehuetes.

¿Por qué tus preguntas ocurrieron siempre en los planos de la noche?
¿Por qué no me dijiste que una empuñadura te reía cada amanecer
a pesar de nuestras quimeras?

La mañana que te fuiste bastó mi silencio
 para unirme al dolor del mundo,
Tuve que vestirme y acercarme a su miseria
 desconocida hasta entonces,
desde ese día escurro su verdad
con la misma capacidad inadvertida y dolorosa,
con su mismo enigma petrificado en la mirada.

A veces pienso que tu muerte es un recuerdo
que no pude haber vivido
y que una constelación equivocada
me lo puso en la memoria.
Pero una fisura incurable te nombra,
alude a tu elipsis con lenta mecanografía,
pronuncia tu gravedad,
tu historia irremediable.
He barbechado la espera…
el tiempo es un minuto
de silencio a punto de culminar,
absorta reúno las frágiles siluetas que ocasionas
en este abandono de clamor ineludible.
Algo ha dejado de existir en el interior de mi reflejo dividido.

¡Pero cómo gritar esta muerte y no morir!
¿Con qué inadvertida voz lanzarla al vacío
sin que despeñe las estrellas?
¿Qué resonancia debiera inventar mi grito
para no violentar los cielos,
donde quizá estás tú gritando nuestras muertes y resurrecciones?

¡Adónde se van los muertos…!
¡Qué senderos trazados por los dedos de Dios
 nos muestran su destino!
Intento conquistar tus luciérnagas
pero jamás supe de dónde te llegaba su luz,
ni aquella libertad que nos temblaba bajo las sábanas.
Sólo sé de este grito al alcance de la muerte,
y callo para no suicidar al mundo.

El reflejo de tus lunas se ha formado en abismo,
en un desfiladero que no permite descansar
 las voces que me conjugan en el verbo del grito,
un verbo capaz de adivinar las intenciones,
los deseos que asfixian,
las ansias que se atoran en los umbrales
 de cada madrugada cuando despierto nudo ciego
en la maldición de tu muerte,
y vuelvo a ser mi grito mudo que agoniza,
mi dolor carente de sonidos,
mis ganas de asesinar al mundo,
tus lunas,
tus luciérnagas…
pero callo para no morir,
porque la muerte es un grito…
***

A Erasmo de Rotterdam

Por Rogério Fernandes Lemes
@: rogeriociso@gmail.com
Imagem: 2.bp.blogspot.com
Passeia,
a loucura,
em noites de lua cheia
pelo reino dos homens.
Debocha de sua razão;
critica sua religião.
Idealiza,
como seu pai,
o idealista Platão
loucas e desvairadas
visões teleológicas.
Loucos bem-vindos!
Vindouros e ascendentes.
No reino dos homens loucos,
A incoerência é hilária;
pois desprezam a loucura e
excluem-se seus os loucos
que habitam suas cidades normais.
No reino dos loucos homens,
em noites de lua cheia,
loucamente a loucura...
Passeia.



Em 10 de março de 2017, às 11h10.

Fora do Eu...

Por Marciah Gumerthans
@: marciasoares12@gmail.com
Imagem: asomadetodosafetos.com
Vivi um tempo de grandes descobertas,
estas, naquela fase inicial do bons Tempos,
estes, registros de facetas de minha essência,
esta, perdida ao Tempo,
este, Senhor que nos revela o próprio Tempo.

Dizia eu, naquele Tempo, que lindo, que belo,
sim, e era mesmo.
O Eu intocável, onde as vivências eram singelas,
levianas e majestosas,
onde se podia sentir o cheiro de pipoca, do pão da padaria,
da colônia envelhecida.

Tive esta nobreza em minha’lma,
esta, que com o passar do Tempo foi se libertando e ganhando asas,
estas, me levaram pra longe, tão longe que deixaram pra trás o meu Eu,
este, irraisado nas crenças ilusórias,
estas, necessárias a inocência infante,
esta, pureza que nos abençoa em não enxergar a realidade,
esta, sufocante, tuberculosa e viciante.

Hoje, aqui chego ofegante em desatino.
Perdido em mim mesmo, procurando um Eu.
Não mais em mim.
E onde estarás nobre alma?
Fostes tão longe… E ainda consegue viver fora de mim?

Desolado estou, mas com um fio de esperança,
esta, que desencadeia tolerância,
esta, que agrega alternâncias,
estas, que me deram inúmeras opções em um mundo de imensidão,
este, que sempre me deu chance de por ele transitar,
porem nunca me deu uma chance de um dia regressar.

Mulher forte

Por Manuela Vieira da Silva
Sintra, Lisboa – Portugal
@: silvamanuela233@gmail.com

Imagem: i.ytimg.com
Mulher forte
Sabe da sua sorte

Do ventre saem rosas
De esplendorosos matizes
É força da natureza
Em permanente renascimento
Alicerce infinito da primavera.
Em fervente ebulição abre o peito-alimento
Sustentando a eternidade do corpo e da alma

Mulher dócil, inteligente
Nobreza permanente

Nobres valores cimenta
No respeito pela vida
É alicerce do mundo
No firme tronco da vida
No olhar, uma estrela cativa
O caminho do amor e da esperança

Mulher altruísta, generosa
Plenitude radiosa

É raiz do mundo, mas será sempre menina
Sonhando campos de aromas e flores
Plantados na palavra sem dor nem rancor
Não tem domínio na grande cidade humana.
Mas a sua voz, o seu canto, asas ganha
E sem espanto, pleno de encanto
O mundo transforma.

Manuela Vieira da Silva exerceu durante 27 anos a profissão de revisora de textos para estar sempre ligada às letras, por amor e dedicação. Desde pequena que sente o chamamento da poesia e da arte, ao qual começou a responder recentemente, com participação em várias coletâneas de poesia e publicação frequente nas redes sociais e agora também no seu próprio blog.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Os pica-fumo

Por Oswaldo Barbosa de Almeida*
Campo Grande, MS, Brasil
@: coxim.oba@gmail.com
Imagem: jornaldecaruaru.com.br
Convidado por um amigo abençoado pela fortuna, fui passar um dia agradável em sua fazenda situada no município de Sidrolândia, perto da Capital (Campo Grande, MS). Ao chegar, fiquei deslumbrado pela beleza da propriedade. Não sabia o que mais admirar: se as verdejantes pastagens ocupadas por milhares de reses do mais puro nelore, as grandes plantações de soja, ou a bela construção em estilo colonial da sede, localizada a pouco mais de dois quilômetros da rodovia, a que se liga por uma estrada asfaltada.
Cheguei no sábado pela manhã, relativamente cedo. Recepcionado pelo amigo, fui apresentado a outros convidados, alguns dos quais meus conhecidos. Foi servido um portentoso café da manhã e logo depois fomos todos levados a conhecer as instalações da sede, os mangueiros, as pocilgas muito limpas e bem cuidadas, com animais de raça, o grande pomar, etc. Regressamos à casa já próximo do horário do almoço, no qual foi servido um excelente churrasco, preparado por um mestre, gaúcho como o dono da fazenda. O meu amigo, apesar de sua riqueza, é pessoa bem simples no trato, até mesmo com seus empregados e colaboradores.
Da rodada de chimarrão que precedeu o almoço, quando fui apenas espectador (não sou chegado em chimarrão e tereré), participou, dentre outros, um velho senhor de vasta cabeleira branca, o qual, explicou o fazendeiro, apresentando-o aos visitantes, fora antigo capataz de seu pai naquela mesma propriedade; hoje aposentado e viúvo, foi sucedido pelo filho mais velho, este agora não mais como capataz, mas como administrador, utilizando métodos modernos e computadores para o desempenho de suas funções. Ambos, pai e filho, moram numa boa e espaçosa residência próxima da casa principal.
Pois bem, aquele homem simples despertou minha atenção ao preparar seu cigarrinho de palha, evocando em mim recordações da minha infância na fazenda e mesmo na cidade de Camapuã, ao ver os homens mais velhos preparando e cortando a palha seca da espiga de milho, alisando-a com a lâmina do canivete bem afiado (amolado) na pedra, picando o fumo de rolo e aparando-o na palma da mão, esfregando-o com as mãos a fim de homogeneizá-lo, e, finalmente, enrolando-o com a palha previamente preparada. Exatamente como ele fazia agora. Dizia que os modernos cigarros não têm o mesmo sabor do cigarrinho de palha.
Recordou-me também uma ocasião em que eu, então empregado de um banco e sendo o encarregado da preparação e do controle das operações de crédito da agência, trabalhando próximo do gerente, recebi dele um papel com três nomes e uma ordem: “Me passe as fichas desses pica-fumo”. Busquei no arquivo as fichas solicitadas e verifiquei tratar-se de pequenos e simplórios fazendeiros da mesma região onde eu agora estava, antigos clientes do banco, que, com simplicidade e naturalidade, frequentavam a agência em seus trajes puídos pelo uso, calçando botas, chapéu na cabeça. Um deles era então pretendente a um empréstimo e os outros dois seriam seus avalistas na nota promissória correspondente.

* Advogado e Escritor.

segunda-feira, 6 de março de 2017

Bettiol, o colorista da alma

Por Giovanna Baccarin – MTB 33.168

Bettiol é um pintor contemporâneo. Na verdade, poderíamos dizer que Bettiol é um colorista contemporâneo, já que através de sua técnica particular em acrílica sobre tela, produz camadas de cores que são únicas e que são também o grande destaque de sua obra.
O artista vê a arte como um veículo importante para o crescimento pessoal e a transformação, tanto do artista como de quem contempla a arte. Seu trabalho registra imagens internas. E as ditas cores, são meios de representação do universo espiritual em relação a distorção das formas existentes no mundo material. É uma relação que sintetiza a dualidade presente no mundo. Assim, as relações de cor e forma são sua tentativa de buscar equilíbrio através da arte.
Um de seus temas recorrentes são as sombras (no sentido da palavra a que se refere a psicologia junguiana). Vários trabalhos se prestam a uma tentativa de lançar luz sobre o que poderia ser chamado de sombras coletivas. Sobre as misérias humanas e as trevas que estão presentes no caos social e que são rejeitadas ou negadas pela sociedade.
Alguém poderia dizer que seu trabalho é forte e pesado. Mas ele é na verdade um aviso. Para lembrarmos que em nossa humanidade existe sombra e luz. E que há beleza na completude dessa dualidade.
Para criar, Bettiol faz uma busca interior e um profundo trabalho relacionado com as sensações experimentadas no mundo. Além disso, seu arquivo interno de imagens, geradas a partir da observação incansável de pessoas e suas interações, bem como a sua memória emocional são fontes de inspiração. O artista entende que a melhor maneira de acessar este conteúdo interno é se desligar momentaneamente do mundo exterior, entrando em um estado de fluxo. Ele faz isso através da criação de ambiente especial para trabalhar em seu estúdio. Usa intensivamente ferramentas tais como a música. Para o artista, ela completa, facilita e aprofunda a contemplação e a compreensão de cada trabalho.
Bettiol descobriu a arte em sua infância e em seus anos de juventude trabalhou regularmente como cartunista. Mais tarde estudou história da arte, composição e leitura de imagens, o que o levou a abandonar as artes gráficas e dedicar-se à pintura. 
Este seu trabalho de pesquisa intensa como colorista da alma, tem sido o caminho escolhido nas últimas duas décadas, mostrando seu trabalho, alguns deles premiados, em mais de 40 exposições, entre coletivas e individuais, no Brasil e no Exterior. Sorte nossa.
Mente em Expansão - 2017 - Acrílica sobre tela - 100 x 70cm

Movimento Orgânico em Perspectiva - 2017 - Acrílica sobre tela - 70 x 100 cm
Luz - 2016 - Acrílica sobre tela -100 x 100 cm
Núcleo - 2016 - Acrílica sobre tela -100 x 100 cm

Microscopia Da Alma - Universo Orgânico III - 2015 - Acrílica sobre tela - 70 x 130 cm
Microscopia Da Alma - Universo Orgânico XIII (Autorretrato) - 2016 - 80 x 70cm


Ciclo Orgânico (da carne) II - 2014 - Acrílica sobre tela - 110 x 110 cm

Objetos Deformados IV - 2014 - Acrílica sobre tela - 60 x 80 cm
Objetos Deformados V - 2014 - Acrílica sobre tela - 60 x 80 cm
Objetos Deformados XI - 2014 - Acrílica sobre tela - 60 x 80 cm
Paisagem Interna - 2012 - Acrílica sobre tela - 100 X 120 Cm
Foto de Fábio Mendes

Foto de Fábio Mendes

Foto de Gi Baccarin



Brinde à Mulher

Por Marcelo de Oliveira Souza, Iwa
Salvador, BA, Brasil
@: marceloosouzasom@hotmail.com

Na confusão do dia a dia 
Muita coisa se perde 
Muita coisa se cria, 
A mulher aparece... 

Toma o seu lugar 
E muito se esquece... 
Num corpo ela faz tudo, 
Pondo-se a amar. 

Sonha, trabalha, procria 
Uma perfeita sinfonia, 
Diante dessa postura 
O homem esquece... 

A mulher é mulher! 
Tem que ser amada e cuidada, 
Quando ela sofre, 
Enfrenta o seu drama isolada. 

Apanha, chora e ninguém faz nada! 
Pois os covardes à espreita 
Estrangulam a independência da mulher 
De uma forma desvairada. 

Brindemos ao sexo dito frágil 
Que nos abençoa e nos ama 
Desde o nascimento até o final 
A mulher é o tom rosa sensacional 
É a alegria e continuidade... 

Mãe, esposa, filha ou amante 
Nada nos separa... 
Só nos une de uma forma visceral 
Brindemos a mulher, 
Brindemos à vida universal. 

Homenagem à semana da mulher!

Do blog http://marceloescritor2.blogspot.com
Marcelo de Oliveira Souza, Iwa
Marcelo de Oliveira Souza, IWA. Natural do Rio de Janeiro. Embaixador da Poesia, nomeado pela Academia Virtual de Letras Artes e Cultura, MG. Membro da IWA International Weitters Artistis – EUA; do Núcleo Acadêmico de Letras e Artes, Lisboa; da Sociedade Ibero-americana de Escritores, Espanha. Organizador do Concurso Literário Anual POESIAS SEM FRONTEIRAS e Prêmio Literário Escritor Marcelo de Oliveira Souza, IWA. Publica na Revista Criticartes

Mulher...

Por Marta Amaral
Arapiraca, AL, Brasil
@: martaamaral41@hotmail.com
FELIZ DIA DA MULHER!
Imagem: reviravoltapositiva.files.wordpress.com
A mulher silencia, para controlar suas emoções, uma saída para diminuir suas dores. E no meio dessas dores nasce a maturidade, suas ideias revolucionam no meio de seus pensamentos. Toda mulher, seja qual for, país ou raça traz dentro de si seus costumes, caráter e cultura. 
Ela sempre vai encontrar as turbulências emocionais e espirituais. 
A mulher em si tem uma beleza, por dentro e por fora. Mesmo na sua correria diária, a essência do amor estará presente em sua alma, mesmo que haja dor. 
Porque ela acredita em seus sonhos; está pronta para viver. Se cair, aprende a levantar; se chorar, aprende a sorrir e a seguir em frente com dignidade. 
Essa é a mulher que vive o hoje. 
Quando vem o amanhecer, ela se inventa para que a vida não perca nenhum segundo da essência. A mulher é complexa, uma mistura e ao mesmo tempo, mística. Quando ela se encontra, no meio da decepção e da tristeza ela sabe dar a volta por cima. Seu silêncio é a arma secreta, para se distanciar de tudo que ameaça seus sentimentos. A mulher nunca se dá pela metade. Quando ela é amiga, companheira, esposa, de fato é. É de verdade sem meio termo. Sua capacidade de vencer é extrema de tal maneira que surpreende a si mesma. Nela não há limites para seus sonhos.
Mulher Virtuosa!
Um homem que tem uma grande mulher do seu lado, tem o maior troféu em sua vida. 
FELIZ DIA DA MULHER!
Marta Amaral
Marta Amaral reside em Arapiraca, Alagoas; formada em Pedagogia e curso profissionalizante de cabeleireira. Participou da coletânea Palavra Arte; publica no site Recanto das Letras e na Revista Criticartes.

domingo, 5 de março de 2017

Poema de sete faces

Por Carlos Drummond de Andrade
Imagem: jb.com.br
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do -bigode,

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Literatura - Modernismo II - 2ª Fase - Poesia Moderna

Canal: Aulalivre.net