sexta-feira, 4 de agosto de 2017

SONETO DO DEVIR

Rogério Fernandes Lemes*
Imagem: https://livrolevesolto.files.wordpress.com
Quando Kafka renasce em pleno pantanal
Translúcido entre Ovídio e fantásticos seres
Desponta um astro com seu calor infernal
Do barro; do simples repleto de poderes.

Novo olhar que vê a cor da voz que a pedra tem
Alta liberdade; excelsa criação
Errar a língua de propósito desdém
De cores, formas e pré-coisas pelo chão.

Escondido na ontologia do devir
Transvê o mundo registrando, em foto, o tempo
Contemplando sons antes mesmo de existir

Sons de pássaros ecoando com o vento
Assim transforma-se pré-coisas em poemas
Vozes grandes e vozes médias em pequenas.

* Vice-Presidente da União Brasileira de Escritores/MS. Sociólogo, Jornalista, Escritor e Poeta idealizador e Editor-Chefe da Revista Criticartes e da Biblio Editora. Membro da Academia Douradense de Letras e da Academia de Letras do Brasil Seccional MS. Autor dos livros Subjetividade na Pós-modernidade (2015) e Palavras amontoadas (2017).


terça-feira, 1 de agosto de 2017

Vossa Senhoria, o Projeto de Lei

Por Rogério Fernandes Lemes*

A ideia que se tem é a de que tudo foi engenhosamente elaborado para causar asco e descrença nas instituições. A segunda parte do plano é classificar a dissidência, ou seja, desqualificar toda e qualquer opinião contrária ou crítica às bizarrices advindas de desserviços.

A situação é tão caótica que conceitos como cultura, por exemplo, amplamente discutido nos bancos acadêmicos entre estruturalistas, pragmáticos e derivados congêneres não chegam até a sociedade. O contemporâneo é mesmo um berço esplêndido. Tudo é possível ao que crê!

Não bastasse o vexame brasileiro em suas tentativas frustradas de combate à corrupção, ou suas manobras estatais para institucionalizá-la, existe outro conceito que se perdeu ao logo do tempo: chama-se “Projeto de Lei”. Passamos a utilizá-lo indiscriminadamente. É até hilário, mas cabe aqui um trocadilho: “é politicamente correto”.

Que hajam Projetos de Lei indiscriminadamente! Cresçam e multipliquem-se e dominem o ideário da vereança, que ganha muito bem por sinal. Façamos Projeto de Lei para que o filho do vizinho passe a ser, a partir de agora, nosso filho. Façamos Projeto de Lei para que as práticas centenárias daquele grupo seja, a partir de agora e, por força de Lei, nossas práticas.

Mas, e a opinião dos representados? Como fica? Ignorem suas opiniões, afinal, não sabem nada de política. E, além do mais, nosso projeto de Lei visa homenagear o próprio filho do vizinho que queremos para nós; apenas homenagear as práticas dos outros que agora serão nossas. Isso já basta para justificar nossos... Projetos de Lei.

A descrição expositiva acima foi retirada de uma romance chamado “A lambança”. Alguns personagens são iluminados, porém, entediados sem saberem ao certo o que devem fazer. Então, agem por experimentações. Um Projeto de Lei passou e foi até legalzinho. “Mas quem o apresentou foi meu oponente” pensou outro ser iluminado e representante legal dos amantes do tun-tun-tun (que segundo a interpretação contemporânea, é cultura). “Preciso apresentar o meu projeto de Lei também”.
Conversa vai, conversa vem, uma visita aqui, outra ali e as relações de compadrio são estabelecidas. Eu voto no teu e você... Advinha? Vota no meu, irmão. E desta forma, a gestão em “A lambança” apresenta suas bizarrices cômicas, porém, lamentáveis.

Os vizinhos, claro, não gostaram nenhum pouco. Recorreram ao tutor-mor acusando o iluminado proponente do famigerado “Projeto de Lei” e representante dos amantes do tun-tun-tun, de usurpador. E bradou isso para todo mundo; em rede nacional. O proponente, vendo a lambança (em homenagem ao romance) justifica-se dizendo que “não, veja bem, a criança parece com a gente; até anda em nosso meio. Então pensamos em uma forma ‘legal’ de homenagear seus pais tirando eles da jogada. Entende? A nossa intenção é boa”.

Ainda que este texto trate de uma ficção, pois se houver algo semelhante na vida real é mera coincidência, ele nos faz pensar sobre a razoabilidade entre a alta taxa de impostos que os contribuintes amargam mensalmente e os benefícios coletivos que recebem.

O autor do romance “A lambança” é um sonhador. Sonha com o dia em que seus representantes tenham orgulho de representar as pessoas com responsabilidade e visão de líderes gestores; sonha com o dia em que a manutenção asfáltica seja de qualidade e não fique pior após os buracos atulhados; sonha com o dia em que os pais trabalharam tranquilos sabendo que haverá vaga para seus filhos nos centros de educação infantil; sonha com o dia em que Projetos de Lei venham para coibir e punir criminosos que desviam verbas públicas da oncologia, por exemplo, para abastecerem caixa dois e financiarem suas campanhas, na busca de saciar o desejo por propina que emana dos amantes do tun-tun-tun. (O tun-tun-tun é um conceito de arte pós-moderno ironicamente utilizado pelo autor de “A lambança”, como forma de aplacar tamanha indignação com os Projetos de Lei apresentados na sua comunidade fictícia.

A relevância dos Projetos de Lei está, diretamente, ligada à importância que os contribuintes dão aos atos mais eficazes e poderosos que possuem: cobrar e exigir que seus representantes bem os representem. O resto, bem... o resto é conspiração.

*Vice-Presidente da União Brasileira de Escritores/MS.
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Carta para Genova, minha avó

Por Rogério Fernandes Lemes*
http://seligamulher.xpg.uol.com.br
Tem quase noventa anos. Tive o privilégio de ser um neto criado com a avó, ainda que por uns três anos apenas, mas que foram suficientes para gravar em minha memória cenas indeléveis.

Cento e trinta quilômetros nos separam. Alguns segundos, se eu resolver ligar para ela. Com a tecnologia a nós disponível interagi com ela por áudios e vídeos. Até fiz uma chamada de vídeo e a vi deitada em sua cama. São coisas que nunca pensamos antes, quando juntos morávamos.

Dia desses, na verdade a última vez que nos vimos, estava radiante, feliz e alegre. Aproveitei para fazer alguns vídeos dela, que encontram-se hospedados nas nuvens. Quero acessá-los de qualquer lugar, principalmente, quando forem eles os únicos meios para matar a saudade. Embora seja uma afirmação tenho minhas dúvidas se a saudade morre.

Sempre que a visito refaço meu repertório e meu discurso. Fico mais predisposto a ouvir do que falar, assim norteamos a prosa que flui entre risos e gargalhadas. Sempre sou o protagonista de suas repetidas histórias daqueles anos em que juntos compartilhamos um teto e alimentos. Confesso que ficava irritado, antes. Agora fico irritado por ter ficado irritado. Devia ter amado mais; ter ouvido mais...

Talvez ela não perceba, mas a sufoco na tentativa de recompensar a ausência do meu avô. Nela, revivo minhas lembranças que dele tenho. Filmei ela dizendo que fiz uma armadilha para pegá-lo. Compartilhamos nossos risos.

 No meu tempo tinha uma música que falava de arapuca. Também tinha uma série domingueira de um homem que, certamente, era alienígena. Ele fazia uma bomba apenas com a parafina e nitroglicerina contidas em uma simples carta de baralho. Acho que minha avó reproduz essa ideia de armadilha motivada pela música e pela série de TV.

Mas isso é irrelevante. O importante mesmo é que filmei e essas lembranças virtuais estão nas nuvens agora. Filmei seu sorriso e o som de sua risada. Filmei o fantasma de sua presença. Aprisionei-o para satisfazer meu ato mesquinho de matar saudade. Ela surpreendeu-me. Atuou em frente à câmera do aparelho de celular como se aquilo fosse um objeto de seu tempo. Estava descontraída e muito bem disposta.

Assim como a avó de Saramago, a minha também contou-me histórias de lobisomens e bruxas; de casos de família e atentados de homens bêbados. Ao contrário de Manoel de Barros, minha avó diz que são cem por cento verdadeiras.

O mundo muda e as avós também. A interpretação também muda. As histórias da minha avó, se contadas hoje, poderiam suscitar denúncias de terrorismo psicológico ou de tortura. Afinal, ficávamos aterrorizados, angustiados e, por vezes, tínhamos pesadelos terríveis. Éramos crianças felizes.

Seu corpo já cansado; sua face enrugada, um reflexo da dura lida no campo; suas mãos finíssimas de pele sensível; e seus cabelos brancos de seda são enigmáticos para mim. Algumas centenas de palavras práticas foram o suporte de sua interação a vida toda. Sabe bem o que é sofrimento e decepção. Mesmo sem nunca ter lido um livro e talvez nunca ter escrito o próprio nome, ela sabe bem o que significa amar. Ama e reclama dos filhos, dos netos... dos desafetos.

Sempre que olho o céu cheio de estrelas; a imensidão do cosmo e seus possíveis universos observáveis; ou penso na especulação do ser humano viajar no tempo... volto ao passado e lembro-me dos anos em que moramos juntos; das cenas de momentos felizes que tivemos.

Toda vez que a visito meu coração aperta e concordo com a avó de Saramago. “O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer”.

*Vice-Presidente da UBE-MS

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Como as crianças chegaram ao poder

Por Rogério Fernandes Lemes*
www.portalaz.com.br
Este artigo traz o título do livro do psiquiatra David Eberhard sobre a realidade da sociedade sueca décadas após proibir palmadas nas crianças. A discussão tem gerado muita polêmica e dividido opiniões. Para alguns especialistas, as crianças suecas são as mais felizes do mundo. Outros afirmam serem elas as mais mimadas e sem educação.
A Suécia inovou ao proibir castigos físicos na educação de crianças. Em 1979, o país incorporou em seu código penal tendo o Estado como proponente de outras formas de educação como, por exemplo, a colocação da criança no centro das preocupações sobre aquilo que for melhor para seu integral desenvolvimento. Ouvir as crianças apenas não basta. O governo sueco desenvolveu um curso para os pais com dificuldades na criação dos filhos.
A dissolução afetiva entre pais e filhos, segundo o Governo, é a grande responsável pela preferência aos castigos físicos que, a longo prazo, não significa garantia de adultos confiantes e autônomos. Eberhard aponta as crianças sueca como extremamente mal educadas. Elas decidem, por exemplo, o que assistir na TV; a hora de dormir; quais os alimentos comer; ou, a roupa que vestirão.
Depoimentos de educadores suecos reforçam a afirmação do psiquiatra. Um professor relatou que quando pediu para um aluno de cinco anos resolver um exercício em sala de aula, a criança respondeu-lhe: “Você acha que eu quero fazer isso?”. Ao longo de quatro décadas as ‘crianças no centro’ restringiram toda e qualquer forma de correção ou imposição de limites.
No Brasil uma conversa entre duas mulheres vazou na internet e tem movimentado as redes sociais. Para algumas pessoas trata-se de uma “preocupante inversão de valores na educação infantil”. A conversa chamou a atenção pelo fato de um menino ter reclamado para sua mãe que não o deixaram brincar com um brinquedo.
A mãe tirou satisfações através de mensagens no celular. Questionou o porquê da proibição? A mulher explicou que possui peças colecionáveis, que além de serem caríssimas, não estavam na área social de sua residência. A mãe questiona a possibilidade do filho ficar doente e chamou a mulher de egoísta. Ela reforça seu argumento de indignação pelo ‘não’ que o filho recebeu alegando que ele é apenas “uma criança”. Afirma que irá levá-lo novamente na casa da mulher e que ele brincará, ‘sim’, com os brinquedos.
Independente das culturas, a essência humana é a mesma. Isso não é um pensamento determinista. Isso é um fato biológico, psíquico e emocional. O ser humano, sem limites, é um aspirante a tirano. Essa é a tese defendida por David Eberhard. Para ele, a Suécia criou uma geração de pequenos tiranos e talvez devesse se questionar se tal decisão não foi longe demais.
E no Brasil? Qual a melhor decisão a ser tomada? Certamente que as opiniões são as mais variadas, e isso é um bom sinal, pois a tão falada autonomia e autodeterminação dos povos confere ao indivíduo sua maneira subjetiva de entendimento sobre aquilo que é melhor para si. E isso bem que poderia ser respeitado.
Na esfera particular e que não serve de modelo a ninguém, todos os dias digo ao meu filho de três anos e meio que ele é forte, inteligente, um menino amado por seus pais e que, por tudo isso, deve retribuir os cuidados e o comportamento educado que recebe. De umas semanas para cá ele tem ponderado minhas decisões como pai, principalmente as que cerceio suas vontades. A reação é imediata: “você é fustante papai; você não vai na minha festa hoje”. Motivado pelas falas dos desenhos animados que assiste, ele diz que sou frustrante ao impedi-lo de fazer algo e, não satisfeito, ameaça de impedir minha participação na sua festinha de aniversário.
Então o levo a refletir comigo, como primeira instância de uma resolução pacífica desse litígio, sobre as coisas que me entristecem como, por exemplo, quando ele resolve me punir não permitindo que eu participe dos momentos únicos de sua vida. Digo a ele que quero muito estar na sua festa de aniversário, mas que ele não fará aquilo que bem entender, pelo menos enquanto estiver sob meus cuidados e responsabilidades de pai.
Finalizamos com um abraço e muitos beijos. Ele sempre arremata: “eu ti amo papai; eu tô feliz com você hoje”.

*Vice-Presidente da União Brasileira de Escritores/MS.
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terça-feira, 11 de julho de 2017

Coletânea Mato Grosso do Sul 40 anos


REGULAMENTO
A “Coletânea MATO GROSSO DO SUL 40 ANOS” é uma realização da Revista Criticartes em parceria com a Biblio Editora e contempla poemas, artigos, crônicas e contos. Não há um tema específico. 
INSCRIÇÃO
1. Regulamento aberto para autores sul-mato-grossenses.
2. Prazo de inscrição: de 04 a 31 de julho de 2017.
2.1. O valor de R$ 180,00 (cento e oitenta reais), que poderá ser pago em duas parcelas de R$ 90,00 (noventa reais) com vencimento até o dia 10, dos meses de agosto e setembro de 2017.
3. Considera-se o participante, inscrito, no ato da confirmação da transferência bancária do valor estipulado, total ou da primeira parcela, no Banco do Brasil - Ag: 0391-3 Conta Corrente: 81.090-8 em nome de KASSIA REGINA M SILVA.
3.1. Enviar o comprovante de pagamento para o e-mail biblioeditora@gmail.com.
APRESENTAÇÃO DOS TEXTOS
1. Textos em português, devidamente revisados, sem ilustrações, com fonte Times New Roman, tamanho 12, espaçamento simples, em formato Word enviados, juntamente com foto e currículo literário para o e-mail especificado no item 3.1 deste regulamento.
2. Serão admitidos textos inéditos (entende-se por inédito o original não publicado, parcialmente ou em sua totalidade, em antologias anteriores).
3. O recebimento, do texto, da foto com resolução e da minibiografia serão aceitos apenas pelo e-mail especificado no item 3.1 deste regulamento.
PUBLICAÇÃO
1. Os textos serão publicados por ordem alfabética e cada autor terá direito a 4 (quatro) laudas.
2. Cada participante terá direito a 7 (sete) exemplares impressos da coletânea entregues no dia do lançamento ou pelos Correios, sem custo de frete.
3. A capa da coletânea será colorida e o miolo em preto e branco, tendo em vista o alto custo para páginas coloridas, o que elevaria o valor da inscrição tornando inviável o projeto.
LANÇAMENTO
1. A “Coletânea MATO GROSSO DO SUL 40 ANOS” será lançada pela Revista Criticartes e Biblio Editora no dia 7 de outubro de 2017, no Soneto Café em Dourados, MS e em Campo Grande, com data a definir.
CONDIÇÕES GERAIS
1. Todos os casos não previstos nas normas deste regulamento serão discutidos posteriormente e decididos pelas Organizadoras.


domingo, 9 de julho de 2017

Lançamento da Antologia Criticartes

No sábado (1) foi o lançamento oficial da Antologia Criticartes. O evento foi no Soneto Café em Dourados, MS. Estiveram presentes os participantes de Dourados, Campo Grande, Douradina e Maracaju. Membros da União Brasileira de Escritores/MS também compareceram no evento.

A seguir as fotos dos participantes com Rogério Fernandes, o Organizador da antologia. Para os participantes de outros Estados e países, os exemplares foram despachados, gratuitamente, pelos Correios.

Da esquerda para a direita: Bianca Marafiga, Cláudia Krul, Michele Valverde, Kenny Teschiedel, Elias Borges, Aurineide Alencar, Adail Alencar, Ismael Narciso, Kassia Mariano, Rogério Fernandes, José Américo e Samuel Medeiros.

Certificados e exemplares da Antologia Criticartes.



segunda-feira, 19 de junho de 2017

Chamada para a 8ª edição da Criticartes

Atenção escritores e poetas do Brasil e do exterior!

A Revista Criticartes convida autores a submeter suas produções literárias, seja em forma de artigo, conto, crônica, poema, cordel ou resenha para compor a 8ª edição referente ao 3º trimestre de 2017.
Entrevista confirmada com Merlinton Braff (neoletria).

Prazo: 25 de junho de 2017
Enviar no e-mail: revistacriticartes@gmail.com

Contamos com a sua participação e divulgação a quem interessar possa.


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Mãe

Marciah Gumerthans
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
@: marciasoares12@gmail.com
Imagem: Arquivo da Autora.
Hoje me vi aqui, olhando minha jornada.
Uma travessia em que tu tanto me encorajavas.
Foram muitas dores sem fim, mas com tua Fé, pude ir além de mim.

Muitos medos e receios sucumbiam a minh’alma, mas a tua claridade era farol na longa caminhada.

Tantas foram as noites de aflição
e mesmo assim, me guiei com tuas palavras, seguindo a minha missão.

Sim... o temor me assombrou, e por tantos instantes pensei em desistir. 
E quando achava que não mais tinha solução,
Você trazia grande conforto a meu coração.

Sei que muitas vezes contigo briguei, pirracenta eu fui, 
mas como sempre fostes grandiosa,
e de mim nunca desistiu.

Descordamos tantas vezes sem uma conclusão chegar.
E ainda assim recomeçávamos ao ponto de partida, na ilusão de um acordar.

Hoje me vejo aqui, 
Um pedaço de ti,
que com muito orgulho, de teu ventre sair.

Pequena ainda sou, ainda me alfabetizando na escola da vida.
Tropeçando, caindo, levantando 
e mesmo assim sorrindo e cantando.

E ainda que o nevoeiro queira minha visão ofuscar,
tua forca e garra trago aqui, em meu DNA.

E no podium da Vida cheguei, e Mamãe...onde estás? 
Partistes para as estrelas, sem eu ao menos esperar.

Agora coração despedaçado, por um pedaço faltar.
E aqui somente a doce fragrância de teu perfume, sim posso perfeitamente recordar.

E de joelhos rezo, todas as noites, em plena comunhão.
Que onde quer que estejas, lembre de mim de todo o seu coração.

E que tu recebas daqui, enquanto eu viver, a minha eterna Gratidão.

* Em memória de Angela Maria e de todas as Mamães que nos deixaram um legado de Amor e Respeito pela Vida.

Marciah Gumerthans
Marciah Gumerthans, formada em Comunicação e Direito pela Faculdade Mackenzie. Moro no Rio de Janeiro. Ex aluna de seminários da Profa. Viviane Mosé. E aos 37 anos de idade contribuo meu trabalho a Assessoria de Comunicação em Eventos.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Caminhos perdidos

Janete Reist
Zurique, Suíça
@: janetombrasil@gmail.com
Imagem: sentidodeviver.files.wordpress.com

Perdi o caminho, porque fiquei pegando pedras e atrasei meus passos
Perdi o caminho, porque fiquei tirando os espinhos e matando flores
Perdi o caminho, porque parei em esquinas e joguei meus planos e conversa fora
Perdi o caminho, porque cavei buracos em terra dura

Quanto arrependimento!
Por descuido, perdi o caminho

Perdi o caminho quando entrei em portas estranhas
Perdi o caminho quando não segui os sinais dos pássaros que voavam em minha frente
Perdi o caminho por ter acreditado em muita gente

Perdi o caminho quando  não olhei em direção da lua
Quando não observei o pôr do sol
Perdi o caminho quando não senti a direção do vento
Perdi o caminho quando parei de ouvir a voz que vinha de dentro

Perdi o caminho quando não brinquei na chuva
Quando não olhei pra frente e várias vezes voltei atrás
Por pouco discernimento, ignorantemente,
Perdi o meu caminho

Agora vivo sem direção
Perdido sem noção do tempo
Perdido sem destino
Perdido e sem caminho
Janete Reist

Janete Reist de São Paulo com raízes em Minas Gerais. Mora na Suíça há doze anos. Participou de teatro, música e dança. Formada em Contabilidade e Publicidade. Busca conhecimentos culturais na Europa, onde escreve para revistas, assim como no Brasil e, agora, na Criticartes. Foi produtora de Web TV e entrevistas direcionadas a famosos da MPB.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Pérola Bensabath entrevista o escritor Rogério Fernandes

Foto: Gabriel
1 - Como você encontrou a Comunidade Elos Literários?
 Rogério Fernandes: Primeiramente minha gratidão por esta entrevista. Fiquei muito feliz. Lembro-me que estava diagramando a quarta edição da Revista Criticartes e perguntei ao escritor Davi Roballo, que faz parte do meu Conselho Editorial, quem ele indicaria para uma entrevista. Ele disse-me que conhecia uma mulher incrível na Bahia e que era responsável por uma comunidade muito expressiva, a Elos Literários, que tive o privilégio em conhecer e a admirar as manifestações subjetivas e poéticas de seus elos escritores.

2 - Quem é o Rogério, o homem por trás da Revista Criticartes?
Rogério Fernandes: Talvez seja, esta, uma das perguntas mais difíceis para qualquer ser humano responder. Lembrei-me de Borges agora. Sou uma pessoa simples, com hábitos simples e uma preferência por flores simples. Meu desejo é fazer as coisas de forma excelente... Como sofro com minha contingência e limitações (risos). Exijo muito de mim mesmo e reflito sobre meus erros e acertos. Prefiro a companhia de pessoas sensatas e que nunca, ou quase sempre, reclamam da vida. Sou apaixonado pela astronomia e pela vastidão silenciosa do universo. Na arte, amo o surrealismo. Meus preferidos são Jacek Yerka e Emil Alzamora.

3 - Seu nome completo é Rogério Fernandes Lemes. No Facebook também usas CISO. Qual o significado?
Rogério Fernandes: Meu nome artístico é Rogério Fernandes e a sigla CiSo é a junção das palavras Ciências Sociais. Mas criei isso apenas para meu perfil no Facebook.

4 - E a Revista Criticartes, como surgiu a ideia da criação?
Rogério Fernandes: Em 2008 o meu blog Criticartes como uma espécie de um diário filosófico de manifestações subjetivas. Apenas amigos mais próximos acessavam e deixavam raros comentários. Em 2013 fui eleito como membro da Academia Douradense de Letras e da Academia de Letras do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul. Estes eventos colocaram-me em contato com centenas de escritores pelo Brasil e alguns países latinos e lusófonos. Como trabalho há mais de 15 anos como designer gráfico resolvi criar uma revista literária digital e totalmente gratuita, a partir das tecnologias disponíveis. O objetivo da Revista Criticartes é a divulgação e a interação entre autores e leitores. O resultado foi muito bem aceito. Após um ano de criação contamos com a participação de todo o Brasil e de onze países. O sucesso da Criticartes está no carinho, confiança, divulgação e participação dos escritores que, literalmente, sentem-se parte desta grande família literária, bem como, o cuidado editorial para apresentação de um periódico bonito e muito bem diagramado.

5 - Sei que você já comprou sua passagem para vir para a festa de lançamento da Elos 6 em maio e esta coordenadora o convidou para cantar no show. Na ocasião a Revista Criticartes receberá o “troféu Elos Literários de Comunicação”. Qual a sua expectativa?
Rogério Fernandes: A melhor possível. Entendo que o evento em Salvador consagrará a Revista Criticartes como um veículo de comunicação totalmente comprometido com a literatura brasileira. É uma sensação de gratidão e de relevância social. 

6 - Responda com uma palavra:
- romantismo ou racionalidade? Racionalidade com toques de romantismo.
- branco, matizado ou preto? Matizado.
- flores ou perfume? O perfume das flores.
- ler ou escrever? Ler.
- prosa ou verso? Prosa.

7 - Nos fale sobre o amor universal.
Rogério Fernandes: O amor universal é absoluto. Independe das concepções subjetivas. Aproximar-se dele é uma constante refletida em nosso aprendizado e na aplicação prática em nosso cotidiano. Ao sermos receptivos à sua aproximação elevamos nossa compreensão da interconexão de todos ao Todo; da interdependência das pequenas ações; da empatia pelo ‘outro’; da contemplação do mistério da existência, da finitude e da condição humana: a solidão. O amor universal é um dínamo capaz de transformar a mais sólida estrutura molecular em sentimento de paz e integração. O amor universal é um dom gratuito à espera de uma consciência grata.

8 - Qual a entrevista de maior repercussão que você já fez?
Rogério Fernandes: Todas as entrevistas que fiz foram igualmente tratadas com muito carinho, dedicação e cuidado na elaboração das perguntas. No entanto, a entrevista da quinta edição da Revista Criticartes foi muito comentada. Meu entrevistado foi o fundador da Academia de Letras do Brasil, o Doutor Mário Carabajal. Foi, também, a entrevista mais extensa, com trinta páginas. Com a devida autorização diminuímos o texto sintetizando os principais pensamentos do entrevistado. Minha última entrevistada foi com a filósofa Viviane Mosé e a edição será lançada no dia 15 de janeiro de 2017.

9 - E as Coletâneas Elos Literários?
Rogério Fernandes: Como respondi na primeira pergunta conheci a Coletânea Elos Literários recentemente. Ainda não tive o prazer de tê-la em minhas mãos. Acompanho as publicações dos Elos Escritores na comunidade do Facebook. Concluo parabenizando a você Pérola pelo seu brilhante trabalho, juntamente com toda sua valorosa equipe editorial. Tenha a Revista Criticartes como uma parceira, na divulgação da Coletânea Elos Literários, bem como, as produções de seus Elos Escritores. Fraternalmente, Rogério Fernandes Lemes.

BIOGRAFIA
ROGÉRIO FERNANDES é o nome artístico de Rogério Fernandes Lemes nascido na cidade de Amambai, MS no dia 13 de maio de 1976. É filho de Valdir dos Santos Lemes e de Izaura Fernandes Lemes. Casado e pai de dois filhos. Reside em Dourados, MS. É servidor público estadual formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). É membro da Academia Douradense de Letras e da Academia de Letras do Brasil/Seccional MS e associado da União Brasileira de Escritores em Mato Grosso do Sul (UBEMS). Publicou “Amambai com poesia” (2013), seu primeiro livro de poemas em homenagem à sua terra natal e, “Subjetividade na Pós-modernidade” (2015) um livro recorde de vendas no MS. É o idealizador e Editor-Chefe da Revista Criticartes e da Biblio Editora. Em 2017 foi o responsável pela Vernissage do Festival Literário Internacional de Dourados (FLID 2017). Também em 2017 foi o Coordenador da Academia Douradense de Letras Jovem. Publica na Revista Pazes.