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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Caminhos perdidos

Janete Reist
Zurique, Suíça
@: janetombrasil@gmail.com
Imagem: sentidodeviver.files.wordpress.com

Perdi o caminho, porque fiquei pegando pedras e atrasei meus passos
Perdi o caminho, porque fiquei tirando os espinhos e matando flores
Perdi o caminho, porque parei em esquinas e joguei meus planos e conversa fora
Perdi o caminho, porque cavei buracos em terra dura

Quanto arrependimento!
Por descuido, perdi o caminho

Perdi o caminho quando entrei em portas estranhas
Perdi o caminho quando não segui os sinais dos pássaros que voavam em minha frente
Perdi o caminho por ter acreditado em muita gente

Perdi o caminho quando  não olhei em direção da lua
Quando não observei o pôr do sol
Perdi o caminho quando não senti a direção do vento
Perdi o caminho quando parei de ouvir a voz que vinha de dentro

Perdi o caminho quando não brinquei na chuva
Quando não olhei pra frente e várias vezes voltei atrás
Por pouco discernimento, ignorantemente,
Perdi o meu caminho

Agora vivo sem direção
Perdido sem noção do tempo
Perdido sem destino
Perdido e sem caminho
Janete Reist

Janete Reist de São Paulo com raízes em Minas Gerais. Mora na Suíça há doze anos. Participou de teatro, música e dança. Formada em Contabilidade e Publicidade. Busca conhecimentos culturais na Europa, onde escreve para revistas, assim como no Brasil e, agora, na Criticartes. Foi produtora de Web TV e entrevistas direcionadas a famosos da MPB.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Pérola Bensabath entrevista o escritor Rogério Fernandes

Foto: Gabriel
1 - Como você encontrou a Comunidade Elos Literários?
 Rogério Fernandes: Primeiramente minha gratidão por esta entrevista. Fiquei muito feliz. Lembro-me que estava diagramando a quarta edição da Revista Criticartes e perguntei ao escritor Davi Roballo, que faz parte do meu Conselho Editorial, quem ele indicaria para uma entrevista. Ele disse-me que conhecia uma mulher incrível na Bahia e que era responsável por uma comunidade muito expressiva, a Elos Literários, que tive o privilégio em conhecer e a admirar as manifestações subjetivas e poéticas de seus elos escritores.

2 - Quem é o Rogério, o homem por trás da Revista Criticartes?
Rogério Fernandes: Talvez seja, esta, uma das perguntas mais difíceis para qualquer ser humano responder. Lembrei-me de Borges agora. Sou uma pessoa simples, com hábitos simples e uma preferência por flores simples. Meu desejo é fazer as coisas de forma excelente... Como sofro com minha contingência e limitações (risos). Exijo muito de mim mesmo e reflito sobre meus erros e acertos. Prefiro a companhia de pessoas sensatas e que nunca, ou quase sempre, reclamam da vida. Sou apaixonado pela astronomia e pela vastidão silenciosa do universo. Na arte, amo o surrealismo. Meus preferidos são Jacek Yerka e Emil Alzamora.

3 - Seu nome completo é Rogério Fernandes Lemes. No Facebook também usas CISO. Qual o significado?
Rogério Fernandes: Meu nome artístico é Rogério Fernandes e a sigla CiSo é a junção das palavras Ciências Sociais. Mas criei isso apenas para meu perfil no Facebook.

4 - E a Revista Criticartes, como surgiu a ideia da criação?
Rogério Fernandes: Em 2008 o meu blog Criticartes como uma espécie de um diário filosófico de manifestações subjetivas. Apenas amigos mais próximos acessavam e deixavam raros comentários. Em 2013 fui eleito como membro da Academia Douradense de Letras e da Academia de Letras do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul. Estes eventos colocaram-me em contato com centenas de escritores pelo Brasil e alguns países latinos e lusófonos. Como trabalho há mais de 15 anos como designer gráfico resolvi criar uma revista literária digital e totalmente gratuita, a partir das tecnologias disponíveis. O objetivo da Revista Criticartes é a divulgação e a interação entre autores e leitores. O resultado foi muito bem aceito. Após um ano de criação contamos com a participação de todo o Brasil e de onze países. O sucesso da Criticartes está no carinho, confiança, divulgação e participação dos escritores que, literalmente, sentem-se parte desta grande família literária, bem como, o cuidado editorial para apresentação de um periódico bonito e muito bem diagramado.

5 - Sei que você já comprou sua passagem para vir para a festa de lançamento da Elos 6 em maio e esta coordenadora o convidou para cantar no show. Na ocasião a Revista Criticartes receberá o “troféu Elos Literários de Comunicação”. Qual a sua expectativa?
Rogério Fernandes: A melhor possível. Entendo que o evento em Salvador consagrará a Revista Criticartes como um veículo de comunicação totalmente comprometido com a literatura brasileira. É uma sensação de gratidão e de relevância social. 

6 - Responda com uma palavra:
- romantismo ou racionalidade? Racionalidade com toques de romantismo.
- branco, matizado ou preto? Matizado.
- flores ou perfume? O perfume das flores.
- ler ou escrever? Ler.
- prosa ou verso? Prosa.

7 - Nos fale sobre o amor universal.
Rogério Fernandes: O amor universal é absoluto. Independe das concepções subjetivas. Aproximar-se dele é uma constante refletida em nosso aprendizado e na aplicação prática em nosso cotidiano. Ao sermos receptivos à sua aproximação elevamos nossa compreensão da interconexão de todos ao Todo; da interdependência das pequenas ações; da empatia pelo ‘outro’; da contemplação do mistério da existência, da finitude e da condição humana: a solidão. O amor universal é um dínamo capaz de transformar a mais sólida estrutura molecular em sentimento de paz e integração. O amor universal é um dom gratuito à espera de uma consciência grata.

8 - Qual a entrevista de maior repercussão que você já fez?
Rogério Fernandes: Todas as entrevistas que fiz foram igualmente tratadas com muito carinho, dedicação e cuidado na elaboração das perguntas. No entanto, a entrevista da quinta edição da Revista Criticartes foi muito comentada. Meu entrevistado foi o fundador da Academia de Letras do Brasil, o Doutor Mário Carabajal. Foi, também, a entrevista mais extensa, com trinta páginas. Com a devida autorização diminuímos o texto sintetizando os principais pensamentos do entrevistado. Minha última entrevistada foi com a filósofa Viviane Mosé e a edição será lançada no dia 15 de janeiro de 2017.

9 - E as Coletâneas Elos Literários?
Rogério Fernandes: Como respondi na primeira pergunta conheci a Coletânea Elos Literários recentemente. Ainda não tive o prazer de tê-la em minhas mãos. Acompanho as publicações dos Elos Escritores na comunidade do Facebook. Concluo parabenizando a você Pérola pelo seu brilhante trabalho, juntamente com toda sua valorosa equipe editorial. Tenha a Revista Criticartes como uma parceira, na divulgação da Coletânea Elos Literários, bem como, as produções de seus Elos Escritores. Fraternalmente, Rogério Fernandes Lemes.

BIOGRAFIA
ROGÉRIO FERNANDES é o nome artístico de Rogério Fernandes Lemes nascido na cidade de Amambai, MS no dia 13 de maio de 1976. É filho de Valdir dos Santos Lemes e de Izaura Fernandes Lemes. Casado e pai de dois filhos. Reside em Dourados, MS. É servidor público estadual formado em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). É membro da Academia Douradense de Letras e da Academia de Letras do Brasil/Seccional MS e associado da União Brasileira de Escritores em Mato Grosso do Sul (UBEMS). Publicou “Amambai com poesia” (2013), seu primeiro livro de poemas em homenagem à sua terra natal e, “Subjetividade na Pós-modernidade” (2015) um livro recorde de vendas no MS. É o idealizador e Editor-Chefe da Revista Criticartes e da Biblio Editora. Em 2017 foi o responsável pela Vernissage do Festival Literário Internacional de Dourados (FLID 2017). Também em 2017 foi o Coordenador da Academia Douradense de Letras Jovem. Publica na Revista Pazes.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Um amor que começou brincando

Cavalheiro Andante
Rio de Janeiro, RJ, Brasil
@: cavalheiroandante@hotmail.com
Imagem: uploads.spiritfanfics.com
Hoje eu acordei pensando no nosso passado.
Nas histórias que aconteceram entre nós.
No dia em que você quis saber se eu era casado.
Quero vê-la e ouvir a tua voz.

Quando tenho saudades, eu fico a te esperar.
Mas você está muito afastada do nosso convívio
Aí eu fico aflito, louco pra te encontrar.
E finalmente a tenho, que alívio.

Sem tua presença, nada para mim tem valor.
Sou um barco à deriva, sem teu calor,
Procurando uma ilha para me ancorar.

És a luz na estrada de trevas
A infusão de ervas
E a gente brincando de namorar.

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Entrevista com a Secretária Maria Cecilia Amendola da Motta

Por Rogério Fernandes Lemes – Jornalista
Imagem: noticias.ms.gov.br

Revista Criticartes: Secretária Maria Cecilia sou Rogério Fernandes, o Editor-Chefe da Revista Criticartes e, em nome de nossos leitores e colaboradores, agradeço a gentileza por conceder esta entrevista, sobre esse assunto tão importante que é a discussão sobre a reforma do Ensino Médio no Brasil. Na sua avaliação, essa proposta tem sido amplamente discutida na sociedade?

Secretária Cecilia: A motivação para a discussão começou em 2015 e foi provocada nos seminários municipal e estadual para a formulação de propostas para a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), audiência pública com o relator da proposta da reforma, senador Pedro Chaves Filho, e nas formações continuadas com professores, que ocorreram ao longo do ano de 2016. Em todas estas ocasiões houve a abertura para discussão e reflexão sobre as mudanças e perspectivas na proposta para o novo ensino médio.

Revista Criticartes: A reforma do Ensino Médio tem sido destaque no cenário brasileiro. O que realmente está por trás da “flexibilização do currículo escolar”?

Secretária Cecilia: Não há nenhuma segunda intenção na flexibilização, muito pelo contrário, o que está sendo proposto é uma inovação na medida em que o estudante poderá escolher um currículo que atenderá seus anseios profissionais ou acadêmicos.

Revista Criticartes: Os docentes estão preparados para essa mudança? Quais os impactos disso na formação do estudante brasileiro?

Secretária Cecilia: Existe uma preocupação desta Secretaria no compromisso de estar sempre propiciando a formação continuada dos nossos professores. A flexibilização não altera a forma, implica no modo, e para isso todos os que estão nas unidades de ensino estão prontos para atuar de maneira a atender a proposta.

Revista Criticartes: Pela proposta da reforma do Ensino Médio os alunos poderão escolher o que irão estudar. Como seria isso levando em consideração as dimensões do país? Os exames nacionais seriam regionalizados? Os alunos brasileiros têm condições de fazer escolhas?

Secretária Cecilia: De acordo com a proposta apresentada pelo Governo Federal, as mudanças contemplam a diversidade espacial e territorial. As demais orientações sobre as aplicações de exames seguem conforme a orientação do Ministério da Educação (MEC).

Revista Criticartes: Houve uma grande movimentação no Mato Grosso do Sul quanto à resolução de incorporar a Literatura às aulas de Língua Portuguesa. Como a senhora vê essa rejeição à medida proposta?

Secretária Cecilia: Convém esclarecer que a Literatura não foi excluída do currículo escolar e a alteração realizada objetiva integrar os seus conhecimentos e saberes aos da Língua Portuguesa não prejudicando, assim, o processo formativo do estudante. Essa proposta visa fortalecer o ensino médio por meio de uma organização curricular menos fragmentada e com número menor de disciplinas. A Secretaria de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul (SED/MS) entende que a alteração proposta decorre das discussões relativas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e à Medida Provisória n. 746 que altera o ensino médio e define os componentes curriculares obrigatórios, bem como da necessidade da integração curricular promovendo as adequações necessárias à matriz curricular no que tange aos componentes curriculares obrigatórios, conforme legislação vigente. 

Revista Criticartes: Os professores trabalham por frentes no atual modelo de educação. Os professores que trabalham Gramática, ou Literatura, ou Produção de texto, nem sempre estão aptos a trabalhar o conteúdo diferente da área em que atuam. Como será feita essa capacitação em tão curo prazo?

Secretária Cecilia: Esta Secretaria compreende que o profissional de Letras está apto para ministrar tanto o conteúdo de Literatura quanto o de Língua Portuguesa, reitera-se que a alteração proposta na matriz curricular atende às discussões e aos documentos elaborados sobre a BNCC, de conhecimento público, e a legislação educacional vigente.

Revista Criticartes: Uma das maiores críticas à resolução apresentada foi o fato de a Literatura ter perdido o seu lugar como disciplina. Várias autoridades da área da educação, principalmente mestre e doutores das Universidades, foram incisivamente contrárias à mudança. Como a senhora avalia esse posicionamento?

Secretária Cecilia: A SED/MS constituiu uma comissão estadual para análise da proposta preliminar da BNCC, publicada no Diário Oficial de 21 de março de 2016, com representantes do Conselho Estadual de Educação (CEE/MS), Fórum Estadual de Educação (FEEMS), Fórum Permanente de Educação Infantil de Mato Grosso do Sul (FORUMEIMS), Fórum Municipal de Educação de Campo Grande (FMECG-MS), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (IFMS), Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino de Mato Grosso do Sul (SINEPE), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), União dos Dirigentes Municipais de Educação de Mato Grosso do Sul (UNDIME), Secretaria Municipal de Educação de Campo Grande (SEMED), Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Universidade Uniderp, Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS) e Faculdade Unigran Capital. Durante o processo, o Ministério da Educação proporcionou consultas públicas, por meio de plataforma digital, onde, individual ou coletivamente, no caso de instituições de ensino ou outras, os participantes puderam analisar e contribuir com a construção da proposta da BNCC. Reitera-se que, em todas as etapas da discussão e elaboração dos documentos, os conhecimentos e saberes da Literatura encontravam-se integrados à Língua Portuguesa.

Revista Criticartes: Embora a mudança seja em nível federal, Mato Grosso do Sul poderia optar por manter a Literatura como disciplina e não incorporada à Língua Portuguesa?

Secretária Cecilia: O Estado de Mato Grosso do Sul adequa-se como os demais Estados e ao Distrito Federal, que já ofereciam o ensino de Literatura integrada ao da Língua Portuguesa.

Revista Criticartes: O coordenador-geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara explica como a inclusão do ensino profissionalizante, dentre as trajetórias possíveis aos estudantes, durante o novo Ensino Médio, empurrará os jovens com menor renda para carreiras de subemprego, enquanto que os mais ricos focarão os estudos nas áreas que desejam. Qual o seu posicionamento quanto a isso?

Secretária Cecilia: Penso que o direito de escolha do curso profissionalizante vem no sentido de aumentar as chances do jovem. Sair do ensino médio com uma carreira possibilitará uma ascensão universitária, uma realidade muito distante do estudante que termina ou abandona os estudos no ensino médio e segue para um subemprego sem qualificação.

Revista Criticartes: Como o Mato Grosso do Sul está se preparando para esta mudança? 

Secretária Cecilia: A SED/MS tem trazido propostas inovadoras e coerentes com as expectativas de mudanças do ensino médio, apoiando a ampliação da carga horária e a formação integral do estudante, tanto nos aspectos cognitivos como nos socioemocionais. Um exemplo é a implantação da Escola da Autoria, onde o estudante é o protagonista do seu processo de aprendizagem e a equipe técnica da SED atua como suporte aos docentes/discentes para que isso ocorra.

Revista Criticartes: A senhora acredita que a retirada da disciplina de Literatura da grade curricular da Rede pública estadual será uma escolha acertada? Como ficarão os alunos do Ensino Médio diante dos vestibulares e do Enem já que ambos cobram conteúdo específico?

Secretária Cecilia: Salienta-se que o processo formativo do estudante não será prejudicado com a alteração, pois os conhecimentos e saberes da Literatura não foram excluídos do currículo escolar e sim integrados à Língua Portuguesa. Dessa forma, fortalece-se o ensino médio, por meio de uma organização curricular menos fragmentada e com número menor de disciplinas, atendendo às propostas do Governo Federal, que visam promover a integração entre as diferentes áreas do conhecimento.

Revista Criticartes: A senhora acredita que integrando Língua Portuguesa e Literatura somente com uma carga horária de 04 aulas semanais, o ensino de qualidade será garantido?

Secretária Cecilia: Em relação ao ano letivo anterior, a carga horária destinada à Língua Portuguesa era de três horas-aula semanais e a de Literatura de duas horas-aula semanais, ou mesmo de uma hora-aula semanal, quando se operacionalizava a Língua Estrangeira Moderna Facultativa, passando, com a integração, para quatro horas-aula semanais. Convém, neste momento, esclarecer que, com a carga horária de 4 horas-aula semanais, os professores de Língua Portuguesa e de Literatura completam sua lotação, no caso de 20 horas semanais, atendendo somente a quatro turmas, enquanto na organização anterior tais professores deveriam atender, no mínimo, oito turmas.

Revista Criticartes: Como ficam os professores de Literatura que fizeram concurso específico para a área, se capacitaram com especialização lato sensu e mestrado e agora simplesmente terão que ministrar aulas fora de sua capacitação?

Secretária Cecilia: O professor de Literatura é formado em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Literatura. Ele não está saindo de sua capacitação, está apenas sendo remanejado dentro de sua própria área. 

Revista Criticartes: Um professor de Literatura ministra aulas de língua portuguesa sem maiores problemas. Mas, um professor de Língua Portuguesa teria alguma dificuldade, tendo em vista que as leituras não acontecem de um dia para o outro?

Secretária Cecilia: Os professores de Língua Portuguesa e Literatura são habilitados em sua formação para atender as duas áreas de conhecimento, partindo da situação que a Literatura é um componente curricular integrado à Língua Portuguesa, as mediações e leituras são feitas de modo interdisciplinar, não havendo dificuldades para ambos. Sendo assim, a SED, atendendo às propostas da Política Nacional, visa promover a integração entre as diferentes áreas do conhecimento, consolidando sua proposta pedagógica, pautada na concepção da interdisciplinaridade como elemento basilar da construção do conhecimento. Nessa perspectiva, no que concerne à Literatura, a proposta visa corroborar a adoção de práticas interdisciplinares, integrando os saberes literários aos de outras áreas. Temos a compreensão da função e da importância desse conteúdo, e é importante ressaltar que a Rede Estadual de Ensino promoveu e incentivou a discussão sobre a BNCC. Em 2016, a SED orientou e realizou com todas as escolas e professores momentos para estudo das proposições curriculares elaboradas pelos especialistas das diversas áreas do conhecimento a serviço do Ministério da Educação. 

Revista Criticartes: Como se explica que o Mato Grosso do Sul seja o mantenedor de vários cursos de Graduação e Pós-graduação em Letras, através da UEMS, e agora simplesmente retiram o mercado de trabalho e área de atuação de centenas de jovens? Qual o plano do governo para equilibrar essa equação?

Secretária Cecilia: O fato da disciplina Literatura não estar na grade curricular não implica na qualidade e quantidade dos professores de Letras que se formam em universidades públicas e particulares do nosso País. É grande o déficit de professores para os diversos níveis de educação oferecidos e ademais, é importante que estes docentes se especializem em literatura e assuntos afins, já que está inserida na disciplina de Língua Portuguesa aulas direcionadas à literatura brasileira.

Revista Criticartes: Agradeço pela entrevista Secretária Maria Cecilia. Por favor, suas considerações finais.

Secretária Cecilia: Eu é que agradeço a oportunidade. Temos, na Secretaria de Estado de Educação e nas escolas da Rede Estadual de Ensino, profissionais comprometidos, focados na aprendizagem dos estudantes. Trabalhamos para que nossos estudantes avancem e tenham sucesso, esse é nosso objetivo.
________________
*Secretária Maria Cecilia Amendola da Motta - Graduada em Pedagogia e Ciências Biológicas, Maria Cecilia Amendola da Motta é mestre em Educação e em Políticas Públicas para a Infância, com especialização em Didática de Ensino Superior, Ecologia e Gestão de Cidades. Ela já foi secretária de Educação de Campo Grande (2005-2012), presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) – Seccional Mato Grosso do Sul (2009-2012); vice-presidente da Undime Nacional (2011-2012); membro do Conselho Estadual de Educação (2009-2012); Maria Cecilia também foi professora no ensino fundamental, ensino médio e superior; coordenadora pedagógica; diretora de escola; assessora no Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul (TCE/MS) na Diretoria Geral de Gestão e Modernização, na área de educação. Atualmente, ela é secretária de Estado de Educação de Mato Grosso do Sul e vice-presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed).

domingo, 19 de março de 2017

Onde vivo?

Por Maria Teresa Freire
Curitiba, PR, Brasil
@: freire.mteresa@gmail.com
Imagem: blogs.universal.org
Sou brasileira. Moro no Brasil. Mas, não sei bem que país é esse. Não reconheço meu próprio local de moradia. O cerne dessa dúvida é a existência de dois Brasis. O Brasil político e o social, da população. 
No Brasil político habitam homens e mulheres que convivem restritos a um Distrito. Lá, eles trabalham para uma instituição que se intitula Governo. Os cargos são variados. Do mais alto, presidente, ao menor que são todos aqueles que se profissionalizaram como políticos e também aqueles que estão envolvidos com esses mesmos políticos. 
No Distrito, eles desenvolvem seus trabalhos aleatoriamente ao que acontece no outro Brasil, no social. Legislam em causa própria. Defendem leis que os protegem de seus comportamentos, os mais escabrosos. Organizam reuniões, na calada da noite, para criar sanções, medidas provisórias e outros regulamentos que objetivam controlar o Brasil social, nunca o deles.
Nessas reuniões escusas, cujo conhecimento o Brasil social só tem no dia seguinte através dos noticiários da televisão, do rádio, da internet e por meio dos jornais, eles aumentam seus salários já astronômicos, preparam projetos que beneficiam altamente os habitantes do Distrito, ou seja, do meio político, realizam conchavos regados a propinas exacerbadas, fecham acordos multimilionários com empresas que nem trabalham para os verdadeiros brasileiros. 
Sempre, esses seres pertencentes ao Brasil político apresentam a desculpa que suas ações e iniciativas visam ao bem do Brasil. Qual Brasil?
A justificativa para suas propostas encobrem o real motivo, que é delegar ao Brasil social a responsabilidade de corrigir seus erros, suas falhas. E o pior, pagar, na acepção da palavra, por seus roubos, desvios de recursos, corrupção inimaginável. A explicação é sempre argumentada em favor desse grupo que é menor, entretanto tem o poder, a capacidade de governar os outros milhões de pessoas que, acuadas, se vem obrigadas a se submeterem aos seus descalabros governamentais.
Ligados ao Distrito, porém habitando distante, outros membros também compactuam com a corrupção alastrada, como se fossem extensões do pensamento que norteia as atividades do núcleo central. Também advogam por causa própria, esvaziando os cofres dos seus locais de atuação, mascarando o verdadeiro interesse de participarem de conluios deflagrados pelo Brasil político. Não objetivam trabalhar em prol do povo que lhes depositou confiança, mas sim alcançar patamares de riqueza que o trabalho árduo e honesto não lhes conferiria. 
O Brasil social se calou e por tempos “viveu em berço esplêndido” outorgado pela natureza. Todavia, chegou o dia de despertar ao sentir seus direitos de cidadãos vilipendiados, ultrajados, sem nenhum respeito às suas contribuições para o progresso do país. 
A saúde estava mais doente do que a doença mais grave. Os hospitais, as unidades de saúde haviam se tornado unidades de doença e de decadência médica e social. As escolas, onde o saber se cria e se apodera das crianças e de adolescentes para lhes viabilizar posições importantes na sociedade com as profissões necessárias à emancipação social, estavam depredadas. Faltava estrutura física para atender aos estudantes e o pior, faltava professores entusiasmados e bem pagos. Faltava educação. 
O ir e vir livre que todo cidadão que vive no Brasil social tem direito estava cerceado pela violência, pelos ataques de marginais que armados buscam os objetos, quiçá a vida daqueles que verdadeiramente fazem o Brasil avançar em direção ao desenvolvimento. Que desenvolvimento? Sem empregos, sem esperanças, a massa humana, compactada pelo desrespeito e falsidade se desloca sem sonhos a serem sonhados e concretizados. 
O Brasil social, exausto pela exploração foi às ruas soltar seu grito, lutar pelo país que não se resume em corrupção, mostrar ao mundo que o grupo que dirige o país não é a representatividade da população brasileira. Conquistou, exigiu, conseguiu. Mas ainda não é o suficiente. A lição ainda não foi totalmente assimilada.
É preciso que os gritos retornem aos espaços públicos mostrando a raiva, o desgosto, a não aceitação das injustiças que tem sido imputado aos habitantes do Brasil social, como se fossem marionetes sem vontades ou compreensões. 
Ao esconderem-se atrás das proteções de vidro, os moradores do Brasil político esquecem que são observados através da transparência vitral. Acreditam que suas baboseiras são aceitas como leis imutáveis. Ao contrário, o Brasil social enxerga, arrancou a lente da miopia e acompanha, persegue os movimentos desastrosos que pretendem lhes tirar o mínimo de vivência obtida.
Não está bom, tem que melhorar e muito. Tem que haver mais justiça. Tem que continuar investigando. Tem que levantar a cobertura grossa e negra que recobre o chamado Governo, em todos os seus níveis, para deixar à luz e aos olhos de todos os arranjos para matar a ética, a honestidade, a hombridade, o trabalho honesto, a solidariedade, a governança pelo bem do povo.
Como reconhecer onde vivo?
Maria Teresa Freire
Maria Teresa Freire é Doutora em Comunicação e Saúde (PUCPR), Mestre em Educação (PUCPR), Graduada em Comunicação Social/Jornalismo (UFPR). Graduada em Língua Francesa e Inglesa. Professora de Graduação e Pós-Graduação de Jornalismo, Relações Públicas, Publicidade/Propaganda. Consultora em Educação e Comunicação. Publicações em Revistas Científicas. Participações em Congressos nacionais e internacionais. Escritora com livros publicados e participações em sites literários e Coletâneas.

Reflexão ou decisão

Por Grazielli da Silva
Joinville, Santa Catarina, Brasil
@: grazielli_cm@hotmail.com
Imagem: blogs.universal.org
Deus nunca parou de lutar por nos. E Ele jamais perdeu uma batalha. A questão é que muitas vezes nós mesmos desistimos das nossas lutas, e a nossa parte cabe a nós mesmos fazer. Se Ele fizesse tudo sozinho não haveria sentido vivermos sobre essa terra, Deus poderia continuar escrevendo a história sem o homem e fazendo tudo do jeito que queria.
Estamos doentes, mas não queremos cuidar do corpo, da alimentação e do sono, se estamos tristes é mais fácil mergulhar de vez na tristeza, assistir mais televisão, ficar navegando mais na internet, ao invés de procurar ajuda de pessoas e consolo no Senhor. Não temos tempo para Deus, mas ficamos muito, muito tempo nas redes sociais, bate-papos e demais distrações vazias já citadas.
Somos insensatos!
O HOMEM QUE DIZ: “Deus não existe”, é completamente louco. *
O HOMEM QUE DIZ: “Deus não existe”, é completamente tolo. **
Não porque não acreditamos que Deus não existe, mas porque com nossas atitudes estamos dizendo que não há Deus para essas causas, caso contrário recorreríamos a Ele.
Por amor Deus nos criou, deu a cada um uma missão incrível e uma capacidade singular e extraordinária para realiza-la. Essa é a razão de estarmos aqui, E cada um tem a sua função específica para completar o Perfeito Plano de Deus para humanidade. Porém, enquanto não tivermos um relacionamento íntimo com Ele a ponto de ouvir sua voz para entender, aprender e viver isso na prática, continuamos seguindo com o comum vazio existencial, sem saber de onde e para que estamos aqui, ou para onde estamos indo.
Alguém poderá dizer em seu coração: “Mas mesmo não tendo e não sabendo nada disso eu tenho uma carreira brilhante, ajudo desde o bairro onde moro e muito além com isso”. Se não é o plano de Deus ainda não é o perfeito, pode ser bom, mas não é a perfeita vontade de Deus, e é por isso que essa pessoa, apesar desse sucesso, nunca se sente plenamente satisfeita.
Para Deus é como se o melhor médico de todo o planeta gastasse seu precioso conhecimento em uma empresa de construção civil, e o engenheiro mais brilhante estivesse atendendo as pessoas no consultório médico.
Somos capazes de fazer muitas coisas, mas nem todas nos convém fazer.
“SE O SENHOR não construir a casa, os pedreiros trabalham em vão. Se o Senhor não proteger a cidade, o trabalho dos guardas é completamente inútil. ***
Também podemos considerar: “Gastei toda minha vida criando filhos e cuidando de uma casa e casamento. E esses filhos já tem filhos que já tem ou tem idade para ter filhos. Nunca perguntei nada para Deus, e eles estão bem e contribuindo para um mundo melhor”. Na direção de Deus isso seria maravilhoso. A questão é que se não for o Senhor construindo não é pleno, apesar de ser útil.
“Ajude seu filho a formar bons hábitos enquanto ainda é pequeno. Assim, ele nunca abandonará o bom caminho, mesmo depois de adulto”. ****
Se conhecermos e ensinarmos, as nossas vidas e as de nossos filhos serão completas, cheias de ainda mais vida. Eles não precisarão buscar em coisas e pessoas o que só o Senhor pode oferecer.
Até alguém que vive para o trabalho de Deus, se faz tudo isso por si, sem perguntar ao Senhor, pode não estar fazendo o que Ele planejou e deseja. E será cobrado se assim for.
Podemos e devemos nos arrepender.
“Então se o meu povo (nós) se humilhar e orar, e Me procurar, e se arrepender e mudar sua maneira errada de viver, Eu ouvirei do céu as orações do povo, perdoarei os seus pecados, e curarei a terra deles (o coração). Estarei com os olhos e ouvidos abertos para atender todas as orações que forem feitas neste lugar. Pois escolhi este templo (nós mesmos), e fiz dele um lugar santo, a fim de ser a minha casa para sempre, meus olhos e meu coração estarão sempre aqui. Quanto a você (aqui Salomão, podemos pensar como nós mesmos para aplicação), se Me seguir conforme fez seu pai Davi então Eu cuidarei para que você e seus filhos, netos e bisnetos sempre sejam reis de Israel (de onde Ele quiser nos colocar)”. ***** 
Existem duas mentiras que podem nos impedir de viver a boa, perfeita e agradável vontade de Deus para nossas vidas:
1 - Somos ruins demais, não merecemos, não somos dignos, é muito tarde, não há perdão para o que fiz;
2 - Somos bons demais. Já ajudamos pessoas, já temos tudo que precisamos, já levamos uma vida correta.
A decisão é individual. Decida ficar com o melhor, mesmo que tenha que deixar o bom.

*Salmos 14.1a
**Salmos 53.1a
***Salmos 127.1
****Provérbios 22.6
*****2 Crônicas 14.18

sábado, 18 de março de 2017

Uma fração de segundo

Por Rogério Fernandes Lemes
Dourados, MS, Brasil
Imagem: dreamicus.com
Sempre estive por aí
A observar os inícios e os fins,
Mesmo antes da grande explosão...
Eu existia.

Antes da estruturação do pensamento
E da compreensão do homem sobre as coisas,
Sejam elas, observáveis ou invisíveis;
Antes da atração humana sobre o desconhecido...
Eu existia.

Tive todo o tempo criado ao meu dispor
Para contemplar a miséria e a nobreza do homem;
Suas angústias e realizações;
Sua percepção de continuidade
Através dos filhos e de seus feitos memoráveis.

Quem é o homem a ponto de ser perceptível?
Sua vida é transparente diante de mim,
Ainda que a reduzisse em uma fração de segundos
Seria necessário dividi-la em bilhões de partes e,
Ainda assim, seria muito.

Quando compreenderes que uma fração de segundo
É única e eterna,
Então saberás que existo,
Mas não compreenderás quem sou.

O que te faz grande não são suas obras;
Suas literaturas; suas manifestações
Transparentes diante de mim,
Mas sua compreensão de que uma fração de segundo
É parte de mim e, portanto, eterna.

* Sociólogo, Jornalista, Escritor e Poeta idealizador e Editor-Chefe da Revista Criticartes. Contato: rogeriociso@gmail.com

segunda-feira, 13 de março de 2017

Dei de...

Por Sylvia Cesco
Campo Grande, MS
@: sylviacesco@hotmail.com
http://3.bp.blogspot.com
Dei de criar  invencionices:
Inventei que passarinhavas
E enquanto afiava as  asas
Meu olhar de semente germinada
De longe  te cuidava

Dei de ter miragens :
Te vi vagalumeando  por entre as quatro Luas
Mas era na Minguante
Que tu mais brilhavas,
E te  reinventavas.

Dei de ancorar
Teu barco-querença
Abandonado, margeando as águas,
Ribeirando espumas, gorgeando alentos,
Cataventando seixos em silenciosas mágoas
Pelo não sabido, pela não presença.

Dei de endoidar de vez.
E me vi insana
Entardecendo  em dores,
Me orvalhando em chamas
Me encantando em pedras
Me congelando em brasas.
Dei de lembrar  sofrências
De sofrer lembranças.
Dei de desdizer palavras
E  desfazer de mim...
Exausta, no final , eu percebi:
Destes de te esconder
Em  amplidões sem  fim
Enquanto  inquieta eu te procurava.

Sylvia Cesco
SYLVIA CESCO é de Campo Grande, MS. Autora e Diretora de peças teatrais elaboradas com textos de poetas regionais. Roteirista-auxiliar do filme sobre Glauce Rocha, “Nasce uma Estrela”. Autora de letras de músicas gravadas por compositores e corais de MS. Obras: “Guavira Virou”, “Mulher do Mato”, “Sinhá Rendeira, “Ave Marias, Cheias de Raça”, “Histórias de D. Menina”. A autora foi premiada pela ASL, em Concursos de Poesias: 2º Lugar em 2012 e 1º Lugar em 2013. Publica na Revista Criticartes.

sexta-feira, 10 de março de 2017

Nova tela de Clayton Silva

Conversando com o Pai
Óleo sobre tela 60x60 cm.

Clayton Silva
Clayton Silva, natural de Jundiaí, interior de São Paulo. Com mais de 40 exposições no currículo, com exposições em Lisboa, Moscou e Buenos Aires. A exposição mais recente foi dezembro na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, a convite da casa.
Contato: claytonsilvacontato@gmail.com

La muerte es un grito

Por Leticia Salazar Castañeda
Durango Dgo.  México
@: leticiasalazar998@yahoo.com.mx

Premio Internacional de poesía amatoria, Brasil, Brasilia-2001
Prof. Leticia Salazar Castañeda
Cómo disgregar esta muerte,
su delirio como un relámpago.
Cómo ahuyentar su abismo en el fondo marino de cada quien,
su candor silencioso reflejando las tumbas de la memoria,
con qué aullidos disuadirla.

Qué haré con este miedo creciendo en el hueco de mis manos,
estancia que gesta mi locura protegida por la luz de unos ojos.

Cómo existir este día sin tus tempestades,
esta hora que no quiere tripulante en sus entrañas,
sólo nombrar el deseo,
los anhelos de los que crecen con los sueños,
adivinar las flores que revientan en la esperanza de los otros
los que no mueren,
los que hacen de la vida su pasatiempo favorito.

Dime con qué blasfemias postergar este amor,
con qué oraciones llevarlo hasta las corrientes de tu sangre,
al firmamento de tus dedos,
a la risa de pájaros ocultos en tantas madrugadas.

Sé que la muerte es un grito y callo para no morir,
escondo mi verdad de náufrago en estas aguas
donde mar y llanto son lo mismo,
donde todos los ojos arden en sus cuencas
y los labios dicen la palabra que ayer desconocían.
Mientras yo busco poemas que lleguen a la cumbre del mundo,
al monte de tus manos.

Los guiños de la gente me hablan de sucesos venidos a nada,
de tu muerte hecha profecía en el recuerdo.

Hay tanto sosiego en la mezquita de tu devoción,
tanta paz que alguna vez repartimos en las ilusiones de los hombres.
Fui yo quien descubrió los santuarios de tu pecho
y te respiró la sangre que se volvió mi casa,
tu caverna de fiera solitaria fue el lugar más siniestro de mis confusiones.
Juntos hicimos caminos con la anchura exacta de nuestras huellas,
formé tu cuerpo a la medida de mis brazos
con esa analogía de nuestras fuerzas contrarias,
nuestras geometrías de mujer y hombre.
Juntos frente a frente nos hacíamos muro
para no dejarnos ver el dolor humano,
el hambre, la guerra, las heridas,
juntos atrapamos multitudes y caminamos con su fatalidad a cuestas,
fuimos el reverso de su fanatismo,
de sus luces ciegas.

Por las noches callo para no morir porque la muerte es un grito,
cayó hasta explotar en el silencio y hacer del eco un silbido que nos una,
que nos levante de nuevo al anónimo de nuestros nombres.

Esta quietud respira por tu pensamiento,
borra mis versos en la penumbra donde habitas esta soledad inmensa,
esta procesión de acciones cotidianas.

Sí pudiera decir algo de los muertos…
-de tu prolongación en esta savia que es mi existencia-
Sólo sabemos de su silencio,
de su  ausencia en la inmediatez de las pupilas,
el frío de sus espejos,
su materia metafísica a media tarde cuando más duelen las heridas.

La casa es tan grande sin tu respiración,
sigue derramándose tu risa sobre el plano improvisado de mis lágrimas,
también aprendo a maldecir y en ello me va tu nombre
 reclamando la ancestral costumbre de que alguien le responda.

¿De qué tragedia desconocida,
de qué milagrosos designios sale tu fantasma
como un pavor enardecido,
como un miedo capaz de sobrecoger a cualquiera?

Callo para no morir…
Gira tu esencia entre los vivos y jadeo en ese vértigo
sin más apoyo que mi fantasía.

Cae la lluvia en este lado del mundo,
en el otro quizá comience una fiesta,
un lunes,
un concierto de Rock,
aquí sólo llueve en tu nombre y en tu nombre
 invito otra ronda sobre mi mesa de alcoholes
 rodeada de presencias extrañas.

Hace frío este febrero,
en los otros no sé lo que pase,
aquí hay algo en sus aires desatando los instintos,
algo que grita el vacío de los que se van sin despedirse
 pensando que su cuenta está saldada.

No sabía de los exilios que ahora defino como el mal de los amantes,
ni de este monólogo aumentando mis adicciones ante el mundo,
ni de mis aberraciones,
ni de mis desvaríos en una isla que jamás sabe uno dónde termina.

¿Hacia dónde emigran los muertos?
¿Qué rumbos solitarios los contienen que no vienen a contarlo?
¿Qué tormentos pulen sus olvidos?

Duele a la noche la incógnita de tu muerte
pero no develará tu misterio para quejarse,
Le tiembla la luz del relámpago
y el destello de la cigarra
que en la distancia se reconocen,
y yo imagino que ahí estás tú,
con tu morboso complejo de Dios
 queriendo alumbrar el mundo como alumbraste mi vida.

Miro los espejos que forman esta metrópoli:
veinte pisos de espejos alientan mi tentación,
pero debo callar para no morir,
mi grito lanzaría millones de esquirlas al viento:
decapitación en masa sería la historia de la humanidad.
Mejor  respiro para destruir sosegadamente,
después de todo quizá la estética me salve,
por eso he descartado una bala en la cabeza,
 en el corazón,
en mí misma,
y callo para no morir…

A mi paso, la calle gime por sus heridas de asfalto
y no puedo concebir que una mueca tuya
se refleje en los muros en lugar de un cigarrillo,
o que tu voz cante al amor plagiando
un promocional de tecnología “internet”,
o que esta vía de concreto convierta unos metros
en filo de espada sólo porque me faltan tus manos.

¿Recuerdas aquél ojo cíclope resguardando nuestra casa?
¿Recuerdas que éramos extraños
 pero un día al no encontrarnos
nos faltó la mitad de nosotros mismos?

Tu muerte tiene fauces,
y yo soy un molusco en agonía
orbitando en esta habitación llena de objetos
que sufren de tu ausencia.
Se duelen las cosas de esta casa:
padece vahídos el espejo
los focos se quejan de ceguera
-parecen andropáusicos-
tu ropa gotea pausadamente en los armarios,
la madera cruje por sus nudos cancerosos.

Imagino tu fantasma y apareces,
cual niña regañada me acurruco entre tus brazos
y enseguida me despiertan tus juegos perversos,
 la luz de tus luciérnagas.
Llegas infinito hasta mis manos
y el miedo se vuelve broma en este cuenco deshabitado.

Te imagino en el momento diminuto,
ahí  encarcelo tu luz,
tu néctar,
tus estaciones,
tu resplandor en esa historia que nos repetíamos a diario
y yo me buscaba en el asombro
de mí misma.

Éramos inocentes en aquél tiempo,
una fiesta nos crecía cual color portentoso de la vida,
traíamos liturgias en los brazos,
pecados en el alma,
cargábamos sueños en la cruz de una hechicería permanente.

Un día moriste y la existencia se me volvió tu muerte,
y tuve que inventarme otra historia…

Desde entonces he inventado tantas historias
con el mismo mito tatuándome el rostro,
con la misma erosión
que ya no da para milagros…

En nuestro tálamo un libro con olor a sexo
duerme el sueño de los justos.
La  casa está revuelta,
sin discriminación alguna,
y sé que tengo pedacitos de noche bajo mis ojos.
Amanezco, no sé por qué misterio,
bañada en tu sangre
que anida las aguas de este mundo.
Todo es sangre desde el día que abriste un grifo en tu cabeza
y el rojo salió despavorido.
Desde entonces los días corren tras de mí con su pincel en la mano,
creen que soy muro y quieren dibujarme pesadillas,
alcoholes,
soledades…
quieren pintarme un suicidio insospechado,
una trampa de amarguras en el alma,
una bala de plata sobre mi cuerpo de loba.

Mas yo copio en blanco mis verdades:
¡Que sea blanca la pendejada de tu muerte!
¡Que sea falso mi dolor en esta carne de arena que se desploma!

¡Que se escuche mi blanco sólo!
sin tu cuerpo podrido bajo las sábanas llamándome
 estrella,
Alondra,
sonrisa,
mientras yo sáciome llorosa en tu putrefacción
repitiendo nuestros nombres en diminutivo,
con el “ito” que agotó el lenguaje de nuestros días
y hoy es filo en la parte madura de mis tímpanos,
una  calamidad que jamás hubiera imaginado
 a pesar de nuestros nombres,
nuestros cuerpos,
nuestro nihilismo.

El día que moriste mi dolor desató un viento huracanado,
los perros aullaron en los patios vecinos
esa madrugada,
anocheció de pronto y aún no puedo vislumbrar
el margen de aquél río,
aquella arboleda cómplice de tu esperma,
tus neuronas y las mías.

Recuerdo que ahí inauguramos a ciegas
 los solares de nuestra adolescencia,
ahí festejamos la verdad de aquel cuento de reyes y princesas
que había sido desde siempre nuestra pregunta,
ahí fuimos el punto cierto de la vida custodiados
por el celo de muchos ahuehuetes.

¿Por qué tus preguntas ocurrieron siempre en los planos de la noche?
¿Por qué no me dijiste que una empuñadura te reía cada amanecer
a pesar de nuestras quimeras?

La mañana que te fuiste bastó mi silencio
 para unirme al dolor del mundo,
Tuve que vestirme y acercarme a su miseria
 desconocida hasta entonces,
desde ese día escurro su verdad
con la misma capacidad inadvertida y dolorosa,
con su mismo enigma petrificado en la mirada.

A veces pienso que tu muerte es un recuerdo
que no pude haber vivido
y que una constelación equivocada
me lo puso en la memoria.
Pero una fisura incurable te nombra,
alude a tu elipsis con lenta mecanografía,
pronuncia tu gravedad,
tu historia irremediable.
He barbechado la espera…
el tiempo es un minuto
de silencio a punto de culminar,
absorta reúno las frágiles siluetas que ocasionas
en este abandono de clamor ineludible.
Algo ha dejado de existir en el interior de mi reflejo dividido.

¡Pero cómo gritar esta muerte y no morir!
¿Con qué inadvertida voz lanzarla al vacío
sin que despeñe las estrellas?
¿Qué resonancia debiera inventar mi grito
para no violentar los cielos,
donde quizá estás tú gritando nuestras muertes y resurrecciones?

¡Adónde se van los muertos…!
¡Qué senderos trazados por los dedos de Dios
 nos muestran su destino!
Intento conquistar tus luciérnagas
pero jamás supe de dónde te llegaba su luz,
ni aquella libertad que nos temblaba bajo las sábanas.
Sólo sé de este grito al alcance de la muerte,
y callo para no suicidar al mundo.

El reflejo de tus lunas se ha formado en abismo,
en un desfiladero que no permite descansar
 las voces que me conjugan en el verbo del grito,
un verbo capaz de adivinar las intenciones,
los deseos que asfixian,
las ansias que se atoran en los umbrales
 de cada madrugada cuando despierto nudo ciego
en la maldición de tu muerte,
y vuelvo a ser mi grito mudo que agoniza,
mi dolor carente de sonidos,
mis ganas de asesinar al mundo,
tus lunas,
tus luciérnagas…
pero callo para no morir,
porque la muerte es un grito…
***

A Erasmo de Rotterdam

Por Rogério Fernandes Lemes
@: rogeriociso@gmail.com
Imagem: 2.bp.blogspot.com
Passeia,
a loucura,
em noites de lua cheia
pelo reino dos homens.
Debocha de sua razão;
critica sua religião.
Idealiza,
como seu pai,
o idealista Platão
loucas e desvairadas
visões teleológicas.
Loucos bem-vindos!
Vindouros e ascendentes.
No reino dos homens loucos,
A incoerência é hilária;
pois desprezam a loucura e
excluem-se seus os loucos
que habitam suas cidades normais.
No reino dos loucos homens,
em noites de lua cheia,
loucamente a loucura...
Passeia.



Em 10 de março de 2017, às 11h10.